Pandemia acelera mudanças com o uso das novas tecnologias no mundo do trabalho, diz psicóloga

Situação de distanciamento social causada pela pandemia de covid-19 exige o desenvolvimento de novas habilidades pelos profissionais

Home office é alternativa que ganhou força com a pandemia - Foto: Divulgação
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A pandemia mundial trouxe uma nova ordem para o mercado de trabalho. E não se trata apenas da adoção em larga escala de home office e reuniões online, mas sim da própria forma que as empresas e até mesmo os profissionais passaram a encarar o uso das novas tecnologias. E, mais importante, como as mudanças vieram para ficar, quanto antes o profissional fizer os ajustes, menor será o impacto na sua carreira.

A análise é da psicóloga Thais Alves, especialista em psicologia organizacional e do trabalho e sócia da Core Psicologia. “A pandemia do novo coronavírus acelerou o surgimento de serviços e remodelou profissões. Com o isolamento social dos que podem ficar em casa, o atendimento à distância virou uma modalidade de exercício da profissão para muitas pessoas”, avalia.

Com tantas mudanças, não se pode negar, de imediato, o impacto severo que a pandemia vai causar na economia mundial. Estimativas da Organização Internacional do Trabalho falam em mais da metade da força de trabalho mundial, algo na casa das 3,3 milhões de pessoas, afetadas. A retração do Produto Interno Bruto mundial deve ultrapassar os US$ 2 trilhões. Só no Brasil, perto de cinco milhões de trabalhadores perderam seus empregos ou parte de sua renda.

Apesar dessa realidade, a psicóloga avalia que o maior legado que a pandemia irá deixar, no mercado de trabalho, não são as perdas imediatas com a economia, mas sim a modernização das relações de trabalho e os novos desafios para as organizações decorrentes delas.

Impacto

Thaís Alves é especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho – Foto: Divulgação

Nesse cenário, habilidades como gestão do tempo, manejo de carreira e utilização intensiva dos meios tecnológicos são o futuro para maior parte das empresas. “Três em cada cinco empresas pretendem continuar a utilizar o home office mesmo após a pandemia. Haverá, ainda, uso da tecnologia. Essa realidade já estava em andamento e veio para ficar. O trabalhador, hoje, tem que se preparar para essa nova realidade”, conta.

Nessa nova realidade, será necessário que as pessoas encontrem o seu ritmo de trabalho, inclusive para evitar jornadas excessivas. “É um processo de adaptação. O ideal é encontrar o meio termo. Home office, por exemplo, não significa estar à disposição da empresa 24 horas por dia. É necessário equilíbrio”.

Opções

Outra realidade que veio para ficar, avalia Leidiane Martinez, também sócia da Core, é a chamada gig economy. O termo é usado para descrever um conjunto de formas alternativas de trabalho, de caráter autônomo e temporário, caracterizadas pela ausência de vínculo empregatício e pela frequente mediação de plataformas de serviços on-line, como aplicativos de entrega ou de transporte. “Na gig economy, a maioria dos trabalhadores não tem acesso a vale-alimentação, férias remuneradas, décimo terceiro salário e seguridade social. A tendência veio parar ficar, e o mercado deve se adaptar a isso”, avalia.

A psicóloga explica que, nesses casos, o profissional deverá agregar a gestão de sua própria carreira às habilidades necessárias para ser bem-sucedido. “É uma mudança de paradigma. Não é fácil, mas será irreversível”, conta.

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