Morre menina de 8 anos socorrida por policiais depois de engasgar em Ribeirão Preto

Mãe chamou Polícia Militar para agilizar atendimento; menor teve que ser levada para unidade de saúde que fica a 20 minutos do bairro onde morava

Morreu na madrugada desta quinta-feira (1) a menina Kemilly Sofia Gonçalves, 8, portadora de hidrocefalia que havia sido socorrida por policiais militares depois de engasgar no bairro Cristo Redentor, em Ribeirão Preto. O acidente ocorreu na madrugada desta terça-feira (30). 

Continua depois da publicidade

Kemilly engasgou quando estava com sua mãe, na casa onde ambas moravam, na noite de terça-feira (30). Com medo da demora do atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Eliane Ferreira, mãe da menina, preferiu chamar a Polícia Militar, que fazia ronda no bairro. A menina foi socorrida por policiais militares, que a levaram à UBDS (Unidade Básica e Distrital de Saúde) do Quintino II, a unidade de saúde com funcionamento noturno mais próxima do bairro. O tempo do trajeto entre a casa dela e unidade foi de 20 minutos.

Segundo os policiais militares que atenderam à ocorrência, a menina chegou a ter uma parada cardíaca dentro da viatura, mas foi reanimada durante o trajeto. Ela foi atendida na UBDS do Quintino II e encaminhada à Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, onde permaneceu internada em estado grave até sua morte.

De acordo com Eliane, a situação foi “desesperadora”. “Não tivemos a quem recorrer. Chamamos a polícia porque não havia unidade de saúde e precisávamos do socorro rápido, mas ela não resistiu”, disse.

Eliane informou que ainda não pensou se irá tomar alguma medida judicial contra a prefeitura. “Não estou com cabeça para nada no momento”, disse.

Outro lado

Procurada, a Secretaria da Saúde informou que “para atendimentos de urgências e emergências o município de Ribeirão Preto dispõe do Samu, que cobre ocorrências dessa natureza em toda a cidade e é acionado com pelo telefone 192”. Segundo a administração, o fato de a unidade de saúde do Cristo Redentor não estar em funcionamento “não se aplica ao atendimento prestado ou não à criança”, já que “se trata de uma Unidade Básica de Saúde que não tem expediente de madrugada, ocasião em que ocorreu o fato com a criança”.