Funcionários do Daerp alegam falta de cuidados contra a covid-19

Servidor reclama de superlotação em veículo e falta de teste; autarquia diz que segue protocolos

Foto: Reprodução.

Álcool em gel e máscaras não estão sendo o suficiente para dar tranquilidade aos funcionários do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) que estão no trabalho. Eles alegam, ainda, que faltam testes para detecção de covid-19 e que alguns veículos da autarquia saem para o trabalho com trabalhadores aglomerados. A autarquia nega e afirma que segue todos os protocolos de combate à doença.

O principal problema apontado pelos servidores é a falta de testes. “O pessoal aqui está quase todo contaminado, então o que acontece, nós não temos um apoio, uma pessoa para vir medir uma febre e fazer um teste aqui. Segundo o prefeito e o secretário da saúde, está difícil fazer o teste, e não estamos entendendo quase nada, só que do jeito que está, nós estamos trabalhando com medo e preocupados”, afirmou o funcionário Ismael, em entrevista concedida ao jornalista Corrêa Junior no programa Thathi Repórter desta terça-feira (07).

Segundo ele, o fato de muitos servidores compartilharem o mesmo espaço também é um problema. “Agora estou aqui e daqui a pouco estou dentro de um caminhão com três ou quatro funcionários, então a gente fica receoso, nós só queremos que eles façam o teste e descubram quais as pessoas que estão com coronavírus e afastem ele, para que não contaminem o restante.”

Aglomeração

Segundo Ismael, aglomeração vem acontecendo nos transportes do Daerp, onde é preciso estar em um número maior de pessoas no veículo. “Nem tem como ter distanciamento, precisamos trabalhar e estar junto na cabine do caminhão. Tem eu, o encarregado do meu lado e mais dois atrás, são quatro dentro de uma cabine fechada, o risco é a mesma coisa. Deve ter uns 30 afastados devido ao covid-19, não podemos correr esse risco.” A prefeitura, entretanto, contesta os números (veja mais abaixo).

Ismael ainda afirma que se os exames fossem realizados desde o início da pandemia o controle seria melhor e o grau de contaminação seria menor. “Deveriam ter feito revezamento de funcionários também, no começo tinha e depois não fizeram mais. Se fizesse tudo isso, o risco seria bem menor, o problema é que não quer perder tempo e quer economia, eles ligam mais para eles do que para a vida do funcionário. Só queremos que tomem uma atitude.”

Outro lado

Procurado, o Daerp informou que, por ser atividade essencial, precisa manter seus serviços em funcionamento. Esclareceu, no entanto, que “segue todos os protocolos de segurança estabelecidos por autoridades de saúde e sanitárias para evitar o contágio de seus servidores”.

“Desde o início da pandemia, a autarquia teve seis servidores que testaram positivo para a covid-19 e foram orientados sobre os procedimentos necessários de afastamento”, ressaltou o Daerp, em nota.

Ainda segundo a autarquia, houve reforço, nesta terça-feira, nos procedimentos de combate à transmissão do coronavírus em suas unidades. “Todos os servidores que chegarem para entrar no trabalho passarão por medição de temperatura. Caso haja qualquer alteração, o servidor não entrará para trabalhar e será orientado a procurar atendimento médico. Também colocou os relógios de ponto em área aberta, para evitar aglomerações”, salienta.

O Daerp informou ainda que oferece máscaras a todos os servidores e mantém estoque de insumos necessários à higienização das mãos, dos veículos e das unidades, que passam por desinfecção. “Também faz blitzen para verificar a utilização principalmente da máscara e informa constantemente sobre a necessidade de distanciamento entre as pessoas, em todos os locais, não apenas nos de trabalho”, saliento a autarquia, ainda em nota.

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