Região registra desde falta de energia até morte após onda de calor

"Eu estou no oxigênio, tenho asma grau quatro, olha como eu fico dia, noite e madrugada. Eu sei o que é asfixia”, disse uma moradora da Batatais que respira com ajuda de aparelho

A semana mais quente do ano deixou um rastro de destruição. A Região de Ribeirão Preto registrou uma forte onda de calor, nesta quinta-feira (9).  Desde usinas até plantações, localizadas na zona rural, foram alvos do fogo. Em consequência disso, cidades contaram com falta de energia, mortes e até mesmo pessoas respiram com ajuda de oxigênio, após vários locais arderem em chamas.

Nas proximidades de dois postos de combustíveis, identificou-se focos de incêndio, um em Ribeirão Preto e outro próximo a Batatais. Em ambos os empreendimentos, os trabalhadores foram evacuados. Contudo, no estabelecimento batataense, houve o risco de explosão.

Além deste caso, a cidade contou com mais de 33 focos, de acordo com um funcionário da Prefeitura. As chamas atingiram usinas, que precisaram liberar os trabalhadores e até alguns bairros da cidade foram alvos da medida. Além disso, a administração municipal decidiu suspender algumas atividades na cidade, devido à péssima qualidade do ar. 

Uma moradora, respira com a ajuda de aparelho. Ela afirma conhecer a sensação de estar sendo asfixiada. Isso porque, ela afirma ter asma grau quatro e por consequência da fumaça, ocasionada pelas chamas, não está bem.

“O mundo está acabando. Deus deu tanta chance para esse verme maldito que é o homem. Eu estou no oxigênio, tenho asma grau quatro, olha como eu fico dia, noite e madrugada. Eu sei o que é asfixia”, disse ela.

Rodovias

De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas atingiram as proximidades de ao menos três rodovias. Dentre elas, estavam a Cândido Portinari, que atingiu duas usinas sucroalcooleiras, a Anhanguera e a Altino Arantes.

As chamas chegaram os arredores dos empreendimentos, e os funcionários chegaram a ser dispensados do serviço, por conta do ocorrido. Um caminhão que auxiliava no combate às chamas também foi incendiado.

Diante deste cenário, animais morreram carbonizados, enquanto pastavam na área rural da cidade. Algumas imagens foram enviadas ao Grupo Thathi e é possível ver cavalos mortos, depois de serem atingidos pelo fogo.

Mas não foi só. Até um corpo foi encontrado carbonizado próximo a zona Rural de Sertãozinho, no bairro Cohab 7. A suspeita era de que o caso tivesse ligação com os incêndios. Mas a polícia descartou a possibilidade e trabalha com a hipótese de homicídio.

Uma das consequências, também, foi o fechamento das vias. Já que, devido ao incidente, o ambiente reduziu a visibilidade dos motoristas

A situação

A situação deste dia 9 foi tão grave que, em Batatais, as atividades foram suspensas. Desde atividades escolares até físicas não podem ser realizadas no município, em decorrência da péssima qualidade do ar.

Mas não foi só. De acordo uma nota divulgada pela Companhia Elétrica de Força e Luz (CPFL), cinco subestações estão desligadas. Entre as cidades afetadas estão Brodowski, Jardinópolis, Ribeirão Preto Leste, Patrocínio Paulista e Diamante (Franca). 

“Há uma queimada de grandes proporções no município de Batatais, desligou a linha de transmissão desde a geração em Mascarenhas de Moraes até Ribeirão Preto. Estamos com 5 subestações desligadas: Brodowski, Jardinópolis, Ribeirão Preto Leste, Patrocínio Paulista e Diamante (Franca). As oscilações foram em função deste desligamento de bloco de cargas”, diz o texto.

Não é a primeira vez nos últimos tempos que atividades educativas são paralisadas por causa do fogo. Neste dia oito, a Fundação Casa de Sertãozinho precisou ser evacuada após um incêndio atingir o local.

Internos e professores ficaram desesperados. Os jovens que conviviam no local, tiveram que ser transferidos para Ribeirão Preto. Três deles precisaram de atendimento médico, mas passam bem.

Cuidados

A Defesa Civil, recentemente, emitiu uma nota de alerta tratando sobre a baixa umidade relativa do ar e alertando sobre a alta incidência de queimadas na região de Ribeirão Preto. No último dia 19 de agosto a cidade de Morro Agudo decretou estado de calamidade pública por conta dos incidentes.

A califórnia brasileira há diversas semanas registra uma péssima qualidade do ar, bem como umidade abaixo dos 30%. O ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é que fique entre 50% a 80% para seres humanos. Quando o índice está abaixo dos 30%, como é o caso, considera-se situação de perigo e são necessários cuidados.

Isso porque, conforme o Hospital do Coração (HCor), o baixo volume de água na atmosfera faz com que a concentração de poluentes no ar aumente, provocando uma maior irritação no pulmão.

Dessa forma, faz com que aumente ainda mais os riscos de ataque cardíaco, já que para manter a pressão arterial os vasos precisam ficar dilatados e o coração trabalha e bate mais intensamente. Sendo assim, com o pulmão já em estresse, alguns mecanismos de passagem do ar se fecham fazendo o mesmo com as vias sanguíneas.

Por conta dos indicadores, Batatais emitiu, via rede social, o pedido para que os moradores ficassem em casa. “A Administração municipal recomenda: fiquem em casa. Neste momento, todas as ações da Prefeitura estão voltadas para o combate aos incêndios.