Projeto que ensina morador de rua a usar espaço público atende mais de 50 pessoas em Ribeirão

Primeira edição do projeto PertenSer, realizado na Praça da Bandeira, reuniu moradores de rua para acolhimento e atendimento

Atendimento a moradores de rua feitos na Praça das Bandeiras, no Centro - Foto: Divulgação

“Essa ações ajudam vocês a verem quem somos e como nós vivemos, porque tem muitas pessoas que, para elas, nós não existimos pelo simples fato de estarmos nas ruas”. O desabafo é de Patrícia Vieira de Souza, 36, natural de Pernambuco, nas ruas há quatros e que foi atendida, nesta terça-feira, 23 de fevereiro, pelo projeto PertenSER, da Secretaria de Assistência Social de Ribeirão Preto.

Patrícia foi uma das 50 pessoas em situação de rua atendidas na ação realizada na Praça da Bandeira. Foi o primeiro local de atendimento do projeto, que tem como objetivo realizar o acompanhamento longitudinal em busca da reinserção social, aproximação e fortalecimento de vínculo com a equipe da Secretaria de Assistência Social.

Foram realizadas atividades físicas, atendimento psicológico, atendimento social, oficina da alma, oficina de autocuidado, conscientização da utilização do espaço público, encaminhamentos aos serviços oferecidos pela secretaria, refeições, além do Programa Recomeço, que ajuda dependentes químicos a buscarem ajuda e sair das ruas.

De acordo com o Instituto Limite, Organização da Sociedade Civil que executa o Serviço de Abordagem Social, há no município aproximadamente 1.127 pessoas em situação de rua, uma média de 180 abordagens mensais.

História

Assim como Patrícia, os profissionais da assistência social conheceram muitas histórias e os motivos que levam pessoas como ela a morarem nas ruas. Tauana, de 33 anos, vive desde 2007 em situação de rua e conta que as drogas foram o principal motivo.

“Eu fui adotada por um casal que me ensinou a usar droga e eu viciei e tô aí até hoje. O mais difícil são os abusos, destrói a gente. Meu maior sonho é sair das drogas e das ruas, fazer um cursinho e tocar minha vida”.

Um dos grandes desafios, segundo Renata Corrêa Gregoldo, secretária de Assistência Social, é convencer essas pessoas a mudarem de condição. “Não faz sentido somente ampliar a rede de acolhimento, se o principal fator que determina o sucesso deste acolhimento está diretamente ligado à decisão voluntária destas pessoas. São histórias de vida diferentes, motivos diferentes”, disse.

Conhecer essas pessoas, para ela, é fundamental. “Se queremos realmente mudança neste quadro, antes, precisamos atuar segundo a singularidade de cada um deles, ouvindo, aproximando e fortalecendo os vínculos de confiança, só assim passaremos com maior efetividade para o estágio do acolhimento e todos os serviços que compõem esta política pública, até que haja a reinserção social e finalmente a conquista de sua autonomia”, avalia.

Análise

Laura Aguiar, diretora do Departamento de Proteção Social Especial, diz que os atendimentos foram superiores ao esperado, que era atender entre 20 e 30 pessoas. “A primeira ação do projeto PertenSER superou as expectativas, não apenas pelo número de pessoas em situação de rua que participaram e se envolveram, que ultrapassaram 50 indivíduos, como por conhecer a história de vida e demandas de pessoas que eram apenas estatísticas que não acessavam os serviços.”

Além da reinserção na sociedade, um dos principais objetivos do projeto é conscientizar munícipes e comerciantes do entorno sobre os efeitos negativos da esmola, seja ela alimentos, roupas ou dinheiro, que são medidas paliativas e não resolvem a realidade da pessoa em situação de rua.

A Secretaria orienta a população a entrar em contato com o Fale Assistência Social, pelos números 161 e 0800-7730161 ou pelo whatsapp 3610-0687, para que possa ser realizada a abordagem e, caso haja consentimento, o encaminhamento para um dos serviços oferecidos.

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