Professor é acusado de assédio sexual e protesto interrompe aulas em Sertãozinho

Aluna fez postagem em rede social e teve apoio de colegas; segundo estudantes, direção quis abafar acusação

Escola Edith Silveira Dalmaso, em Sertãoznho - Foto: Redes Sociais
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Alunos da Escola Edith Silveira Dalmaso, em Sertãozinho, fizeram, na manhã desta terça-feira (29) um protesto para denunciar atitudes de assédio sexual por parte de um professor da instituição. O caso veio a público depois que uma adolescente expôs o fato em uma rede social. O professor, que ministra a disciplina de Biologia, foi afastado enquanto a apuração ocorrer.

“Dia 25/10/2019 presenciei uma das piores coisas que podia acontecer na vida de qualquer mulher (…) O dever de um professor é ensinar seus alunos e só, não tirar foto dos seios e nem elogiar se o aluno ta (sic) ou não bonito, muito menos ficar passando a mão no cabelo e sim, hoje aconteceu tudo isso comigo”, disse a jovem, em seu perfil no Facebook.

De acordo com depoimentos de alunas com idade entre 14 e 17 anos, o assédio começou neste ano. A situação não teria sido relatada aos país devido ao temor, por parte das alunas, de repercussões. A diretoria da escola, segundo as alunas, foi avisada, mas tentou abafar o caso. Depois da publicação do depoimento, outras jovens que supostamente teriam sido assediadas também se manifestaram.

Segundo relato de uma das alunas, que não foi assediada mas que afirma ter presenciado cenas de assédio, o professora costumava abordar as alunas. “Ele olhava pra bunda das meninas, passava a mão no cabelo delas. Também tirava foto dos seios e falava que elas ´estavam boas´. Chegou a prender uma em uma sala de aula e passou a mão na barriga dela”, disse a aluna.

Escolta

O protesto desta terça-feira provocou a interrupção das aulas e a Polícia Militar foi chamada. Não houve registro de violência, mas um aluno afirmou que o professor suspeito teve de sair escoltado pelo policiais. Pais procuraram a delegacia, mas a ocorrência não foi registrada por conta da falta de energia. O registro deve ser feito nesta quarta-feira.

A reportagem tentou falar com a direção da escola, mas foi informada que a diretora só poderia falar com a autorização da Secretaria Estadual de Educação.

Em nota, a Diretoria Regional de Ensino de Sertãozinho informou que um supervisor foi enviado à escola para averiguar o caso. Uma apuração foi aberta e, se comprovada a denúncia, todas as medidas legais serão tomadas. A Diretoria reforçou ainda que está à disposição dos pais e responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos.