ONG distribui marmitas na Cava do Bosque e questiona qualidade do alimento servido pela prefeitura

Moradores de rua reclamaram da qualidade das marmitas; prefeitura nega problema

Uma Organização Não Governamental (ONG) entregou 110 refeições, na noite desta terça-feira (26), além de cobertores, a moradores de rua abrigados na Cava do Bosque. Segundo a instituição, os abrigados reclamaram da qualidade da comida fornecida pela prefeitura e também da falta de cobertores. Procurada, a administração informou que o atendimento ocorre de forma normal no local.

“É revoltante, é revoltante mesmo. Na hora que a gente saiu, a galera ficou batendo palma, agradecendo, porque eles estavam com fome. É desumano a comida que eles mandaram, tem que dar um jeito, é muito triste isso”, disse Paula Domenichelli, uma das responsáveis pela ONG.

A Cava do Bosque recebe cem moradores de rua, com idades entre 18 e 60 anos. A contratada é a empresa Instituto Limite, que recebe R$ 817,3 por pessoa atendida da prefeitura para fazer os atendimentos. A administração também é a responsável por fornecer a comida. A Instituição informou que a comida foi distribuída normalmente ontem, mas admitiu a presença da ONG na noite de ontem na Cava.

Projeto

O abrigo oferece três refeições por dia, roupas limpas, máscaras e local para dormir aos moradores de rua mas, segundo a denunciante, há falta de cobertores. Em outra ocasião, problema similar foi divulgado pelo Grupo Thathi.

Na ocasião, uma das líderes dos moradores de rua, que preferiu para não se identificar, disse que os cobertores nem sempre são entregues. “Dez cobertas iam vir da prefeitura, mas apareceram só duas. Eles não deram um café, um almoço, uma janta, os usuários do programa que trouxeram água pra gente, não foram os funcionários”, reclamou, na ocasião.

Outro lado

Procurada, a Secretaria da Assistência Social afirmou que a distribuição de cobertores e da comida é de responsabilidade do Instituto Limite e que não há falta de comida ou cobertura. “Os serviços de acolhimento da Pasta contam, normalmente, com refeições e cobertores aos atendidos”, disse.

Já Izaias Cruz de Oliveira, vice-presidente do Instituto Limite, afirmou que a entrega das quentinhas por parte da ONG aconteceu, mas que houve, no fim da tarde, a distribuição da comida por parte da prefeitura. “É lamentável esse tipo de situação. Esse pessoal reclama de qualquer coisa que derem pra eles”, disse.