Pandemia ameaça diminuir população de Ribeirão em abril

Pela primeira vez na história, cidade pode ter mais mortes do que nascimentos; levantamento exclusivo da Thathi mostra aumento de 70% das mortes e queda de 30% nos nascimentos

imagem ilustrativa de uma gestante Foto: Divulgação

Devido aos efeitos da pandemia de Covid-19, Ribeirão Preto corre risco, pela primeira vez em sua história, de registrar mais mortes do que nascimentos em um único mês. Os dados são dos cartórios da cidade, levantados com exclusividade pelo Grupo Thathi e mostram que a pandemia causou queda no número de nascimentos e aumento no número de mortes na cidade.

De acordo com os dados, foram registrados, até 22 de abril, 535 nascimentos e 527 mortos, um saldo positivo de apenas oito vidas. O levantamento mostra ainda que, entre as 527 mortes registradas em abril, 188 foram causadas pela Covid-19, o que corresponde a quase 36% dos óbitos registrados na cidade.

Apenas como comparação, abril de 2020, quando a pandemia de Covid-19 estava em seu segundo mês, a cidade registrou 708 nascimentos e 359 mortes – ou seja, nasceram praticamente o dobro de pessoas que morreram na cidade. 

Na comparação com abril de 2019, último ano sem os efeitos da pandemia, os números são ainda mais significativos. Foram 396 mortes contra 1014 nascimentos, um saldo positivo de 618 vidas.

Para o professor Domingos Alves, ligado à Universidade de São Paulo (USP), essa realidade não é observada apenas em Ribeirão Preto. “É a primeira vez em Ribeirão, mas também é uma realidade observada em todo o País. Trata-se, obviamente, de uma repercussão da pandemia”, conta.

Comparação

Analisando-se os dados dos três anos, e projetando o total de nascimentos e mortes até o fim de abril de 2021, percebe-se que o total de nascimentos no mês de abril caiu da casa dos para a casa o patamar dos 700 – uma queda de aproximadamente 30%.

A pandemia é, novamente, parte dessa equação. O casal Viviane Ferreira e Richard Ferreira, ambos de 29 anos, viveu isso na pele. Eles planejavam o primeiro filho para o ano de 2020, mas tiveram que adiar o projeto para depois da pandemia. “É um tempo de incerteza, a gente preferiu esperar até que a pandemia passe ou pelo menos diminua”, conta Viviane.

Já os óbitos no mês aumentaram de 396 para a casa dos 660, o que representa um aumento de quase 70%.

O ano

No acumulado do ano de 2021, entretanto, os nascimentos ainda superam as mortes com alguma folga. Foram 2.744 contra 2.133, o que significa que nasceram na cidade 611 pessoas a mais do que morreram.

Em 2020, já durante a pandemia, foram 8.869 nascimentos e 5.648 durante os 12 meses do ano, um “saldo” positivo de 3.248 vidas. Em 2019, foram 10.439 nascimentos e 4.858 mortes na cidade, saldo positivo de 5.581 vidas.

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