Estudo descobre endemia oculta de hanseníase em Jardinópolis

Pesquisadores da USP em Ribeirão diagnosticaram 64 moradores contaminados na cidade; pesquisa contou com participação da população por meio de questionário

Foram distribuídos 3.241 questionários e 32,5% dos entrevistados apresentaram um ou mais sinais e sintomas da hanseníase – Foto: Ary Portugal/PMSJP via Governo do Brasil

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) descobriram uma possível endemia oculta de hanseníase em Jardinópolis, após iniciarem um estudo para rastrear casos suspeitos da doença e contribuir com o diagnóstico precoce. 

O estudo foi feito por meio de um questionário, aplicado por agentes comunitários de saúde de Jardinópolis. Foram distribuídos 3.241 questionários e 32,5% dos entrevistados apresentaram um ou mais sinais e sintomas da hanseníase,  os pesquisadores seguiram com a avaliação de 479 pessoas e diagnosticaram 64 moradores contaminados. De acordo com a pesquisa, os resultados indicam uma endemia – quando uma doença é comum em determinada região. 

Para Fred Bernardes Filho, responsável pelo estudo,  “esse também é um alerta para os formuladores de políticas e uma lição para a comunidade científica: os municípios só serão capazes de quebrar as cadeias de transmissão e demonstrar que controlaram a hanseníase por meio da detecção de casos através de profissionais qualificados e treinados para reconhecer todas as formas clínicas da hanseníase”.

Bactéria causadora da hanseníase  Foto: Divulgação / Jornal da USP

Hanseníase 

Causada por uma bactéria, a hanseníase provoca perda das funções sensitivas e motoras,  além de lesão na pele e nos olhos. Entre os principais sintomas estão perda da sensibilidade para o calor, frio e dor, da força muscular e da visão, além de manchas e machucados na pele.

Por ser uma doença infecciosa, ela é transmitida através de gotículas de saliva eliminada quando falamos, tossimos ou espirramos. O tratamento leva à cura, interrompe a transmissão e previne agravamento, além de ser realizado com medicamentos fornecidos gratuitamente nas unidades de saúde.

Porém, devido à falta de informação a respeito da doença, o diagnóstico precoce é prejudicado, conta Bernardes Filho. “A consequência é a demora na busca por atendimento médico, que pode provocar lesões e perdas definitivas, como a cegueira e incapacidade física”.

Estudo 

A pesquisa Active search strategies, clinicoimmunobiological determinants and training for implementation research confirm hidden endemic leprosy in inner São Paulo, Brazil publicado pela revista Plos Neglected Tropical Diseases de Bernardes Filho contou com um questionário que reúne um conjunto de 14 questões simples e objetivas sobre os sinais e sintomas relacionados à doença. 

Além disso, o estudo também investigou o histórico de hanseníase na família dos entrevistados. Por exemplo, os participantes devem responder se sente dormência nas mãos ou nos pés, formigamentos, áreas adormecidas na pele, sensação de agulhadas, etc. 

“O questionário provou ser importante para triagem de novos casos pelos agentes comunitários de saúde. Também funcionou como uma unidade consolidada, simples e econômica de educação em saúde, renovando a consciência dos sinais e sintomas da hanseníase na população e nos profissionais de saúde, podendo ser recomendada na rotina das ações de rastreamento e vigilância em outras cidades”, explica o médico Bernardes Filho.

Fonte: Jornal da USP

Nenhuma postagem para exibir