App de Sertãozinho é escolhido para representar o Brasil em competição nos EUA

Desenvolvido por alunos de 14 a 18 anos, software ajuda população durante a pandemia da Covid-19 e concorreu com quase 5 mil invenções de todo o mundo; premio é conferido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)

Aplicativo foi o único brasileiro para a final da competição Arte: Tatiana Arreguy

Os brasileiros têm se destacado em campo, mas dessa vez o assunto está longe das Olimpíadas de Tóquio. Uma equipe de alunos de Sertãozinho saiu na frente ao ser a única do Brasil a se classificar para representar o país em uma competição do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, com um aplicativo criado para apoiar a população durante a pandemia da Covid-19. 

A invenção, de seis estudantes de 14 a 18 anos, do curso de Programação em Android da Faculdade de Tecnologia (Fatec), competiu com quase 5 mil aplicativos desenvolvidos por equipes do mundo todo e conseguiu ser uma entre as 200 classificadas para a segunda fase da competição AppAThon.

Desenvolvido entre a metade do mês de maio e o final de junho, o aplicativo ajuda a desmistificar as chamadas fake news sobre o novo Coronavírus e traz informações sobre os sintomas e o tratamento da doença. Além disso, o professor Carlos Henrique Lemes da Silva, responsável por orientar a equipe durante o desenvolvimento do projeto, conta que a interface traz entrevistas com pessoas que tiveram Covid-19 ou contato com pacientes que ficaram internados para ajudar a população que agora passa pela mesma situação.  

“Em um momento de notícias tão ruins, como o que estamos passando agora, o aplicativo oferece um amparo para as pessoas. A função social dele, além de fornecer serviços, é de trocar experiências. Quando as pessoas conseguem ver que não estão sozinhas nisso, elas reagem de uma forma melhor àquilo que estão passando”, conta. 

Integrantes da equipe responsável pelo desenvolvimento do aplicativo. Na imagem, da esquerda para direita, estão Prof. Carlos Henrique Lemes da Silva (branco), Dino Neto (branco e preto) Nicolas Marlon dos Santos Soares (cinza claro), Diretora Acadêmica Maria Cristina (azul) Isabela Viana (preto) e Luca Ueda (cinza escuro) Foto: Arquivo pessoal

O aluno Nicolas Marlon dos Santos Soares, 15, diz que a ideia para o aplicativo surgiu em equipe. “Cada integrante deu sugestões e ideias e nós desenvolvemos em conjunto, através da plataforma MIT do evento, que era uma das regras que a competição pediu. Foi um resultado muito bom, nós queríamos fazer ele de uma forma simples e fácil de utilizar”. 

“Aqueles que tiverem parentes internados ou algo do tipo podem acessar o aplicativo e contar suas experiências. Na tela inicial, colocamos alguns relatos para as pessoas lerem e se inspirarem e assim ficarem mais esperançosas”, relata.

Agora a equipe aguarda a classificação para a próxima fase da competição, que será divulgada no dia 30 deste mês. Já a final, no dia 14 de agosto, vai selecionar a equipe vencedora para conhecer o MIT, nos Estados Unidos, com tudo pago. Além de uma premiação que será exibida no People’s Choice Awards em outubro.

Alunos de 14 a 18 anos competiram com equipes do Japão, da Austrália, da Nova Zelândia, da França e da Alemanha Arte: Tatiana Arreguy

Reconhecimento 

Para o aluno, o sentimento de fazer parte da única equipe brasileira que conseguiu se sobressair, em um embate contra equipes de 30 a 40 pessoas, de países como o Japão, a Austrália, a Nova Zelândia, a França e a Alemanha que não se classificaram, é de que valeu a pena todo o esforço.

“Quando fiquei sabendo que nossa equipe passou para a segunda fase eu fiquei super feliz. Foram muitas horas gastas, nós ficamos madrugadas e madrugadas criando esse aplicativo. Um grupo de seis pessoas conseguiu conquistar a segunda fase, foi uma conquista muito grande”, conta Soares. 

Já o professor Silva, diz que o sentimento é de gratidão e reconhecimento ao potencial que o país tem para produzir. “É muito bom a gente ver que alunos de 14 até 18 anos conseguiram sair à frente de aplicativos desenvolvidos por estudantes de engenharias e ciências da computação e informação do mundo todo. É um sentimento de reconhecimento e de que temos uma capacidade muito boa para tecnologias no Brasil”.  

Além disso, Soares contou que ficou empolgado com os benefícios que a participação na competição pode trazer para ele e sua equipe. “Alguns deles são oportunidades e conhecimentos, porque nós estamos aprendendo muito desenvolvendo esses aplicativos, sempre aprendendo e inovando”. 

Para professor Carlos Henrique Lemes da Silva, falta investimento em pesquisa no Brasil Arte: Tatiana Arreguy

Ciência brasileira 

Para o professor da Fatec, a classificação não é apenas uma valorização para a equipe, mas também para a Ciência no Brasil, que vem se desenvolvendo a cada ano, mesmo com pouco incentivo. “Falta estímulo. Nós percebemos que quando esse estímulo é dado nós projetamos nossa ciência pelo mundo afora”.

“O Brasil é sempre visto como um país atrasado tecnologicamente. Ainda que faça parte do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e seja um país em desenvolvimento, nós ainda somos atrasados em tecnologias”, diz Silva. “Enquanto muitos países já iniciam os alunos nessas áreas de robótica no período da escola regular, no ensino fundamental e médio, no Brasil estamos começando a fazer isso agora, principalmente no estado de São Paulo”.

Silva afirma ainda que já é possível perceber um crescimento da produção científica nacional, pois, “nós temos potencial para crescer exponencialmente e expandir isso para o mundo”, mas “ela [a ciência] tem que começar a ser mais estimulada para começar a mostrar nossa capacidade de desenvolvimento”, finaliza. 

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