Vídeo | Manifestantes incendeiam estátua do bandeirante Borba Gato em SP

Grupo chamado “Revolução Periférica” assumiu a autoria do ato, que ocorreu na tarde deste sábado (24); até então ninguém foi preso e a Polícia investiga o caso

Estrutura do monumento não ficou danificada Foto: Revolução Periférica/ Rede Social

Manifestantes incendiaram a estátua de Borba Gato, na tarde deste sábado (25), durante ato em protesto contra o governo Jair Bolsonaro. Instalado na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, no distrito de Santo Amaro, em São Paulo, o monumento é uma homenagem ao bandeirante do século 18, que ajudou a capturar índios e negros. Até então ninguém foi preso. A Polícia Civil investiga o caso. 

Nas redes sociais, um grupo denominado “Revolução Periférica” assumiu a autoria do ato e divulgou imagens e vídeos onde a estátua aparece em chamas. O grupo também compartilhou frases como: “Você sabe quem foi Borba Gato?” e “A favela vai descer e não será Carnaval”.

Em um dos vídeos é possível ver o momento em que o grupo incendeia a estátua. Os manifestantes utilizaram vários pneus ao redor do monumento e na rua para colocar fogo em Borba Gato. Os vândalos colocaram ainda uma faixa com o escrito “Revolução Periférica” na frente da estátua que queimava ao som de gritos como “Chora, Borba Gato” e “Facista”. Confira: 

Apesar do incêndio, a estrutura da estátua não foi comprometida. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a polícia investiga quem foram os responsáveis pela ação, que não deixou nenhum ferido. 

Quem foi Borba Gato? 

Manuel de Borba Gato (1649-1718), foi um juiz ordinário da vila de Sabará. Bandeirante paulista, ele ajudou a promover a escravidão de negros e captura de indígenas pelo Brasil. De acordo com historiadores, o movimento foi responsável pelo extermínio de etnias em confrontos, estupros, além do roubo de riquezas do território nacional. 

A estátua em homenagem a Borba Gato foi inaugurada em 1983. A obra, do artista Júlio Guerra (1912-2001), tem 13 metros de altura e em 2016 foi pichada, junto com o Monumento às Bandeiras. Em São Paulo, vem crescendo um movimento que pede pela retirada de símbolos em homenagem ao passado de exploração colonial no Brasil. 

“Borba Gato, bandeirante, foi um escravocrata responsável pela morte de povos indígenas durante a interiorização do território brasileiro. Hoje, a estátua Borba Gato, situada no bairro de nome homônimo, no distrito de Santo Amaro, presta homenagem à sua biografia genocida”, diz uma petição na internet. 

O movimento de ataque às estátuas ganhou força no ano passado, após a onda de protestos antirracistas, incentivada pela morte de George Floyd, quando protestantes decapitaram e demoliram símbolos da escravidão nos Estados Unidos.