Sergio Moro acusa Bolsonaro de uso político da Polícia Federal e pede para sair do governo

Ministro deixou a carreira de juiz federal para assumir o cargo no início do governo; motivação política interferiu na decisão

Jair Bolsonaro e Sérgio Moro - Foto: Alan Santos/Arquivo

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, anunciou, durante coletiva de imprensa, que deixou o cargo na manhã desta sexta-feira (24).

O pedido de demissão surgiu um dia após o presidente Jair Bolsonaro anunciar a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que foi indicado por Moro. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (23).

“Não foi me apresentada quaisquer razões ou causas para essas substituições. Ontem, conversei com o presidente e houve essa insistência. O presidente admitiu que seria uma interferência política”, disse Moro.

Moro disse ainda que não indica nenhum outro nome para o cargo, mas um dos nomes cotados para assumir a PF é o do atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, nome forte entre os filhos de Bolsonaro.

“O presidente tem a preferência por alguns nomes, que são indicações dele, e eu fiz uma indicação técnica para ocupar o cargo de superintendente. A questão nem é quem colocar, mas sim o motivo, permitir a interferência política na Polícia Federal. O presidente me disse mais de uma vez que queria ter alguém com quem pudesse ter contato pessoal, que pudesse ligar e saber de informações, ter relatórios de inteligência. Esse não é o papel da Polícia Federal”, enfatizou Moro.

Sergio Moro deixa o cargo após um ano e quatro meses. Ainda em 2018, Bolsonaro havia afirmado que o ministro teria carta branca para combater a corrupção e o crime organizado. No entanto, no início deste ano, o presidente mudou o tom quanto a liberdade garantida.

Moro mantinha a carta branca, mas Bolsonaro passou a enfatizar que tinha o poder de veto em determinadas decisões.

“A partir do segundo semestre do ano passado, passou a haver uma insistência do presidente para trocar o comando da Polícia Federal. Não haveria uma causa para essa substituição e isso iria contra a carta branca que eu tive. Isso geraria um abalo na credibilidade. Não só minha, mas minha também, como do próprio governo”, afirmou o ex-ministro.

*Colaborou Eduardo Schiavoni

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