Pesquisa do Google define professora como “prostituta”

Em dois dias, o termo foi pesquisado mais de um milhão de vezes; Presidente da Apeosp diz que os resultados são bizarros

O site de buscas mais popular, Google, está apresentando uma definição polêmica para o significado de “professora” em seu dicionário virtual. O resultado que aparece é “prostituta”.

Dicionário do Google atribui professora a prostituta – Foto: Reprodução/Internet

Ao pesquisar por “professora significado”, o usuário recebe duas definições. A primeira como “mulher que ensina ou exerce o professorado”, e a segunda aparece classificado como “brasileirismo”, ou seja, um fato ou linguagem própria do português do Brasil, e define o termo como “prostituta com quem adolescentes se iniciam na vida sexual”.

Imagens com o resultado viralizaram nas redes sociais e no Whatsapp. O termo foi pesquisado mais de um milhão de vezes no buscador entre 21 e 22 de outubro, segundo dados apresentados pelo Google Trends. O Portal do Grupo Thathi fez o teste na tarde desta quarta-feira (22) e obteve o mesmo resultado (imagem acima).

O resultado é o mesmo que aparece em outros dicionários, como Houais, Michaelis e no dicio.com.br. O Google justifica que os resultados vêm de parceiros locais e globais e que as definições são fornecidas por eles e a empresa de busca não tem o poder de edição.

Resultado de pesquisa pelo termo “professora” no site Michaelis – Foto: Reprodução

As reclamações sobre o resultado polêmico e sobre qualquer busca, podem ser registrados clicando na palavra “Feedback”, que aparece logo abaixo do resultado da pesquisa.

Diferença de gênero

Ao buscar pelo termo “professor”, o resultado é diferente, primeiro aparece como “aquele que professa uma crença, uma religião”, e em seguida aparece como “aquele que ensina, ministra aulas”. 

Resultado de pesquisa pelo termo “professor” no buscador do Google – Foto: Reprodução/Internet

Sobre a diferença na resposta entre os gêneros, o professor e sociólogo Wlaumir Souza diz que essa realidade demonstra como o patriarcado está vivo e o quanto as redes sociais são reféns das práticas cotidianas de pesquisa e de estímulos.

“A professora é alvo de sexualidade, não é a toa que historicamente tentaram cobrir o corpo das professoras com aventais, jalecos, tentando evitar essa exploração machista da mulher como professora. Entretanto, está entre as fantasias preferidas dos homens. E nesse sentido, o Google está revelando essa realidade”, disse o sociólogo.

Em uma publicação em rede social, a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha Bebel, diz que até a plataforma de pesquisa se juntou aos recentes ataques aos professores e à Educação, e que as buscas trazem “resultados no mínimo bizarros”. 

Ela diz ainda que não vão admitir esse ataque à categoria e que vão “tomar as medidas judiciais cabíveis para que a palavra professora figure no Google, na literatura e na mente de cada um com o seu correto significado. Afinal, somos nós, mulheres – a maioria dentro dessa profissão – que formamos as futuras gerações, apesar de totalmente abandonadas pelo Estado”, finaliza Maria Izabel.

Em nota, o Google informou: “Quando as pessoas pesquisam por definições de palavras na Busca, frequentemente, elas desejam informações de maneira rápida. Por isso, trabalhamos para licenciar conteúdos de dicionários parceiros, que são exibidos diretamente na Busca. Os resultados incluem usos coloquiais que podem causar surpresa, mas não temos controle editorial sobre as definições fornecidas por nossos parceiros que são os especialistas em linguagem. Reconhecemos a preocupação neste caso e vamos transmiti-la aos responsáveis pelo conteúdo.”