Mulher é amarrada em carro e arrastada por ex por 50 metros no interior de SP

Mulher sobreviveu e acusado foi preso; ele responderá pelo crime

Foto - Marcos Santo/USP

Uma mulher de 30 anos foi amarrada a um carro e arrastada por cerca de 50 metros, em Nipoã, cidade de pouco mais de 5.000 habitantes, a 495 km de São Paulo. O suspeito do crime, o ex-namorado, foi preso na quinta-feira (17) e deve responder por tentativa de feminicídio.

As agressões aconteceram no sábado (12), na cidade do interior paulista, após ela pedir o fim do relacionamento. O homem, de 43 anos, está em prisão temporária. Ele não tinha advogado constituído até esta segunda-feira (21). Ele ficou em silêncio no momento da prisão, segundo a polícia.

O caso se assemelha ao da morte da garota de programa Selma Heloisa Artigas da Silva, a Nicole, em 1998, em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo). Em 2016, o empresário Pablo Russel Rocha foi condenado a 24 anos de prisão por ter arrastado por dois quilômetros e matado a vítima.

Pelo relato da vítima, sem aceitar o término, o homem passou a agredi-la. Após imobilizá-la, enrolou uma mangueira de jardim de aproximadamente três metros no pescoço da mulher e no engate do carro e arrancou com o veículo.

Detalhes

A mulher contou à reportagem que quanto mais tentava desamarrar a mangueira, mais ela se enroscava em seu pescoço. Por isso, achou que iria morrer.

O crime de Nipoã ocorreu no quilômetro 3 da estrada vicinal João Leal, próximo a uma área de lazer conhecida como Pedreira.

Ainda segundo a vítima, enquanto ela era arrastada, a mangueira se rompeu. Naquele momento, o homem teria descido do carro e pegado uma chave de rodas para agredi-la, mas pessoas ouviram os gritos de socorro e foram ajudá-la.

Com a chegada de testemunhas, o agressor fugiu com o automóvel. O carro dele foi localizado e apreendido, logo após o crime. A vítima sofreu hematomas no pescoço, um corte no rosto, fraturou a mão direita e teve diversas escoriações nas pernas e nas costas.

Socorro

Ela foi socorrida e encaminhada para um pronto-socorro da cidade e, posteriormente, transferida para o Hospital de Base, em São José do Rio Preto (a 430 km da capital), onde ficou quatro dias internada. Ela precisou levar pontos na mão e no rosto.

Segundo a mulher, o ex já havia cometido outras agressões, sempre após ela manifestar a vontade de terminar o relacionamento. A vítima relata que ela e o agressor se conheciam há alguns meses e se encontravam aos finais de semana. Eles ainda não haviam assumido um namoro.

Ela conta que uma vez foi agredida por ele na casa de amigos, quando falou que terminaria. Nessa mesma ocasião, o homem a teria ameaçado de morte se houvesse a separação. Apesar das agressões anteriores, a mulher afirma que nunca havia procurado a polícia por medo.

Prisão

O agressor foi preso temporariamente por 30 dias. Ele vai responder por tentativa de feminicídio e por posse de drogas, já que no dia que os policiais cumpriram o mandado de prisão foram encontradas porções de drogas e uma balança de precisão na casa dele.

O suspeito foi levado para a carceragem da Deic (Divisão Especializada em Investigações Criminais) de São José do Rio Preto.

A mãe da vítima, que pediu para não ter o nome divulgado, pediu justiça e disse que o ocorrido foi pior que um filme de terror. Ela conta ainda que a filha ficou traumatizada, com a imagem do que viveu na memória, e que, por isso, só quer ficar trancada no quarto, chorando.

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