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Zona Sul é zona Sul; o resto é o resto

Os poucos e quase inúteis jornais impressos ou virtuais de Ribeirão Preto conhecem muito a geografia política e quase nada (ou nada, mesmo) da geografia social. Anunciam que bares e restaurantes da zona Sul que foram multados, autuados e fechados por descumprimento de ordens e leis sanitárias. Nada além. Não oferecem nomes, endereços ou quaisquer circunstâncias que os possam identificar. Ou seja, o leitor pode incorrer no erro crasso de frequentá-los sem nem mesmo saber o risco que lhes afeta. Consideram isso normal e protetor da individualidade dos proprietários.

Quando a mesma fiscalização age ou atua na zona  Norte – o lado pobre da cidade – essas iguais edições não poupam nomes e endereços. O preconceito é visível, claro e notório. Pobre pode ter sua individualidade revelada a sangue frio, enquanto os mais abonados são protegidos por textos mal explicados e informações nem sempre bens sucedidas. Para justificar estas mal traçadas, basta dar uma olhada nos jornais recentes que descrevem com exagero o lado norte e com a devida reserva a área nobre da cidade. Nem se deem ao trabalho de pesquisar texto. Fixem-se nas manchetes.

A imprensa de Ribeirão Preto sofre de uma miopia comercial que ultrapassa as raias da imoralidade. Antes de qualquer notificação jornalística, devem consultar o mapa comercial de cada emissora ou redação. Só assim, e muito depois, é capaz de avançar na notícia, expondo ou retirando nomes ou interesses que não firam o bem-estar da sociedade. Perde o jornalismo, em primeiro lugar. Perde também o leitor, o ouvinte ou telespectador que continuam extremamente mal informados. A tal de democratização da notícia – uma espécie de bíblia sagrada para o verdadeiro jornalista – passa a não existir. Ao contrário, obedece aos péssimos costumes pagãos.

Já estivemos melhor representados. Hoje somamos um bando de ‘Zés Manés’, locadores de caneta e enfiados em duvidosas assessorias de imprensa. Oficiais ou não. Desaprendemos a conviver com a verdade e temos medo de tudo o que não seja chancelado pelas ‘chapas brancas’ de governos ou identificados por órgãos do gênero. Jornalista não foi enfornado para eternamente dizer ‘amém’. Sua obrigação é duvidar de tudo e opor-se a quase tudo isso. Millôr Fernandes já nos ensinava a diferença entre o escrever realidades e o que seja um empório de secos e molhados. Estamos todos lamentavelmente mergulhados em um supermercado de palavras.

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José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor