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Somos o país do ódio

IDIOTICE TEM LIMITES, ATÉ MESMO no governo Bolsonaro. O Brasil foi despertado na manhã de hoje com as débeis e criminosas afirmações do agora ex-Secretário de Cultura Roberto Alvim. Sem cerimônias, o antigo titular do cargo exibiu a lamentável tendência cultural deste governo sem parâmetros e parodiou sem medidas a fala nazista de Joseph Goebbels, inspirador e ministro da propaganda de Adolf Hitler. Mentiroso, como sempre, tentou falar em coincidências. Não era. Nunca foi.

ATÉ MESMO O GURU BOLSONARISTA – o falso filósofo Olavo de Carvalho reprovou a ideia. Argumentou que Alvim teria desvio de personalidade e sofreria das faculdades mentais. O procedimento totalitário valeu algumas defesas de outros iguais idiotas em terras tupiniquins. Houve quem invadisse o espaço desse colunista em horário de rádio e TV para classificar a fala de “exagerada e esquerdista”. Alvim já não é mais secretário, mas os idiotas de sempre não deixaram e nem irão deixar de ser idiotas.

ROBERTO ALVIM É MAIS DO QUE incompetente. É burro e tendencioso. A declaração dele virou manchete no mundo todo em poucas horas. Serviu, mais uma vez, para diminuir o nanismo em que está mergulhado o governo Bolsonaro, ridicularizado dentro e fora do país. Cultura não se faz por imposição partidária ou ideológica. Não deve ser alimentada por vontade do Governo. Cultura é expressão de liberdade. Um governo que anuncia disposição de apenas financiar o que lhe agrada, estabelece censura e patrulhamento.

BOLSONARO DESTILA ÓDIO E DESPREZO quando fala de e com jornalistas. Não sabe e nem quer aprender o que seja respeito. Ignora o próprio cargo e as tantas liturgias presidenciais para ofender mães de repórteres e determina quem deve falar e quem deve – literalmente – calar a boca. Poucas pessoas ainda se incomodam com isso. O presidente tornou a indignidade comportamental tão vulgar e comum que nos passa a impressão de o Brasil é mesmo um país sem juízo e com total falta de respeito.

OS DADOS DA FENARJ – FEDERAÇÃO Nacional dos Jornalistas – da qual faço parte, fez as contas e concluiu: as agressões a jornalistas aumentaram em 54% no ano de 2.019. Foram 208 ataques contra 135 do ano anterior. Mas é possível que o número seja bem maior em função de uma provável subnotificação. Pior. A FENARJ acrescentou neste ano a ‘descredibilização da imprensa’. Todos os 114 casos registrados nesse grupo foram em função de ataques do presidente Jair Bolsonaro.

NÃO PODERIA SE ESPERAR ALGO diferente de um Governo que declara guerra a dois dos maiores órgãos de comunicação do país, liderando campanhas vergonhosas de corte de propaganda oficial e tentando interferir no mercado publicitário. Tudo por conta de pensamentos e críticas divergentes. Nada diferente do que foi feito na Alemanha nazista de Goebbels e Hitler. Não são lembrados neste governo por mero acaso. É questão de identidade.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor