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Sem saúde, sem vergonha, sem juízo

PODERIA SER FALTA DE ATENÇÃO. Mas não é. Trata-se de vergonha e interesse. Ou ausência de ambos. O fato é que o maior hospital público da região de Ribeirão Preto está à beira de perder mais de 130 leitos e já contabiliza a dispensa de 300 funcionários, entre médicos, enfermeiros e técnicos. O Sindicato da categoria confirma: não há reajuste salarial há mais de dez anos. O Hospital das Clínicas transformou-se, hoje, no maior centro de evasão do funcionalismo púbico.

MAIS DO QUE CHOCAR, A NOTÍCIA provoca o alvoroço de sempre. Revelada pelo portal da Thathi, logo encontrou abrigo e ressonância entre políticos e autoridades. O presidente Lincoln Fernandes, PDT, do Legislativo, foi o primeiro tupiniquim a se manifestar; seguido pelo cortejo da família Silva, os deputados Rafael e Ricardo. Outros tantos já pegaram carona. Políticos e aspirantes engraxaram vozes e ergueram barricadas imaginárias. Até mesmo a previsível OAB caipira mandou recado.

EM UM DOS PIORES MOMENTOS da Saúde Pública, quando se anuncia uma mais que esperada epidemia de dengue (onde os números, por si só, já se debatem entre reais e improváveis) apenas o Governo caboclo de Duarte Nogueira, PSDB, entende que é momento de permanecer calado. O prefeito não disse palavra. O governador João Dória, oficialmente, ainda não deve ter sido avisado. A bancada tucana caipira brinca de pular corda aos fundos do quintal.

SEM COMPAIXÃO OU SENSIBILIDADE – o que é perfeitamente natural em governos frios e distantes – o subsecretário estadual da Saúde anuncia que a situação pode ser ainda muito pior. Dos 300 funcionários demitidos – a pedidos, por aposentadoria ou por qualquer outro motivo – o Estado se dispõe (em período ainda não especificado) a recontratar menos de 50. Ou seja, o caos está instalado. Duarte Nogueira continua mudo e calado.

EM MENOS DE SEIS MESES É A segunda grande crise que atinge diretamente o HC de Ribeirão Preto. Sem atrativos salariais, médicos anestesistas já saltaram do barco e foram trabalhar na iniciativa privada. Cirurgias eletivas foram canceladas aos montes. Houve promessa de reposição. Promessas. Duarte Nogueira e João Dória nos devem explicações. De joelhos, se possível. Preferem atuar como fantoches travestidos de governantes a verdadeiramente enfrentar o problema de peito aberto.

O SILÊNCIO ENTRE ELES E A FALTA de compromisso revelam mais do que uma simples omissão. É covardia, mesmo. Permitir que o mais importante centro de referência médico/hospitalar da região sofra a ameaça consagrada de ‘encolher’ o atendimento, reduzir o número de leitos e admitir demissões voluntárias por falta de política salarial é vergonhoso e inadmissível. Saúde não tem custo; Saúde é investimento. Deveria ser, pelo menos. Quando se pensa o contrário, quando se age pelo inverso, pouco ou quase nada podemos esperar.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor