Acesse também: THATHIFM    TVTHATHI   DIFUSORAFM   79AM

AO VIVO

THATHI FM – 91,3

RIBEIRÃO PRETO – SP





Nenhum evento encontrado!

Home Blog Parabólica Sem saudade, sem rimas

Sem saudade, sem rimas

ESTOU ATRASADO COM MINHAS escritas. Na verdade, tenho evitado escrever aqui da Europa para evitar a especulação que se torna cada vez mais inevitável em tempos de crise. Lógico que ando preocupado. O Covid-19 anda fazendo estragos inestimáveis por aqui, atingindo amigos e velhos companheiros de luta. A Europa que vejo hoje não é, nem de longe, uma pequena sombra da Europa das últimas décadas. Há um clima de pavor e desespero no ar.

NADA A SE FAZER, A NÃO SER LAMENTAR e esperar que dias melhores venham por aí. Até a alegria anda triste por aqui. Um sentimento de medo parece incomodar a todos – europeus ou não – e provoca um clima de desconforto na sociedade. A colaborar com esse quadro negativo e sem boas perspectivas, a imprensa é cruel e impiedosa. Coloca no ar repetitivas entrevistas e depoimentos de gente assustada, que fala em maldição, guerra e derrotas. Esse clima de horror prevalece e se instala no baixo ânimo dos nativos.

OS TEMPOS SÃO DE GUERRA, A FICHA caiu. Honestamente, não sei por onde começa minhas lamentações. Se por pastores desumanos, vendendo água benta e álcool em gel purificado ou por idiotas que instalam altares domésticos para rezar via internet. Tenho recebido convites para participar dessas farsas. O problema é de Saúde Pública e deve ser tratado como tal. Empurrar a responsabilidade aos céus e/ou aos Santos é de uma estupidez sem proporções. Vejo que Ribeirão está na vanguarda, uma médica anda oferendo tratamento milagroso por ai.

AQUI, JÁ ESTARIA PRESA E CUMPRINDO cadeia. Não se pode brincar com a tragédia humana. Políticos e ‘especialistas’ defender a teoria da conspiração: alegam que a culpa é da China e dos chineses. Nas últimas décadas, foi o país que mais cresceu no mundo, investindo pesado na Educação. Esses absurdos, pelo menos, não circulam por aqui. Como quase nada, aliás. As ruas estão vazias, praças desertas e o comércio – quase todo – de portas fechadas. A conversa obrigatória são números e estatísticas. Quantos morreram e quantos ainda irão morrer?

O JORNAL ‘A BOLA’, ESPECIALIZADO em futebol, ironiza a fala do presidente Bolsonaro que criticou a CBF por interromper torneios regionais aí no Brasil. “Seria ele humano, ou mesmo um palhaço”, quer saber um comentarista. Ao contrário do ano passado, não vejo atualmente bolsonaristas de plantão a responder essas versões. Nos meios políticos, repercutiu muito mal a aparição do sargentão durante a passeata do último domingo, ignorando a própria doença e cumprimentando puxa-sacos.

ESTOU NO TREM, A CAMINHO DE Lisboa. De lá pretendo retornar ao Brasil, se me for permitido. Há uma interminável fila de brasileiros nos aeroportos da Europa. Todos querendo antecipar a volta pra casa e – pensam – se livrar dos perigos no novo Corona Vírus. Não tenho tanto certeza. Aliás, me visto de desconfiança. Soube agora que já foi feito uma vítima fatal por aí. Ainda assim, percebo que a doença não é seriamente encarada pelos órgãos oficiais. O Brasil é o único país que trocou o ser humano pelo lucro oficial. Chamam isso de Estado Mínimo. É o máximo que conseguem. Se calhar…

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor