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Sem confiança, sem futuro

COMO CONFIAR EM UM GOVERNO que não sabe nem sequer organizar filas de ônibus? E como não desconfiar de outro governo que não sabe ler ou interpretar números? Entre a cruz e a caldeirinha, melhor mesmo é duvidar de ambos. A parcela caipira do PSDB não tem força e nem reúne autoridade para impor transporte coletivo digno à população. O resultado é simplesmente desastroso. Ônibus partem lotados a partir do ponto inicial, sem manter o distanciamento social e com passageiros amontoados entre si. Alguns, sem máscara.

APESAR DOS APELOS DA CIÊNCIA, essa triste realidade não incomoda a TRANSERP, empresa que, na prática, deveria fiscalizar o tal Consórcio de transporte coletivo. Médicos e especialistas são unanimes: é por ali que pode nascer grande parte da contaminação pelo Coronavírus. Quem se importa? Parece que ninguém do Governo Duarte Nogueira. As empresas reduziram em até 50% a quantidade de ônibus nas ruas; não oferecem proteção – como álcool gel, por exemplo – e fingem não enxergar o transporte exagerado de usuários.

SE EM TERRAS TUPINIQUINS EXISTE o descaso voluntário e irresponsável, pior ainda quando tentamos entender a mecânica mal engenhosa do Palácio dos Bandeirantes. De uma só vez, promoveu a ‘libertação’ de Ribeirão Preto e região para a faixa amarela, saindo da vermelha e mal sobrevoando a alaranjada. Sem estágio, de supetão, a ‘alforria’ nos deu a falsa impressão de super-cidadãos, acima de todo mal e navegando nos mares do bem bom. A flexibilização trouxe mais encrencas do que amadurecimento. Para o Estado, zero a zero.

O QUE PARECIA SER LINDO E MARAVILHOSO, da noite para o dia perdeu o encanto. Bastou um retrocesso na incompreensível qualificação de cores para que Duarte Nogueira passasse a desprezar o que tanto fingia amar. O Plano São Paulo contra a Covid-19 transformou antigos aliados em ferrenhos inimigos. O prefeito contesta a exposição de números, diz que não foram leitos fechados, mas, sim, o aumento de óbitos que determinou a decadência de cores e tons.

MUDOU DE DISCURSO EM MENOS DE 48 HORAS. Mas insiste na mesma tecla: o governo paulista é burro e não sabe interpretar números. Por isso, por conta e risco próprios, alimenta a versão de que estamos vivendo no amarelo, mesmo que técnicos, médicos e a ciência do Estado confirme o alaranjado. Nogueira, claro, joga para a plateia. Tem a seu favor comércio e comerciantes, bares e restaurantes e mais uma centena de interesses meramente pessoais. O interesse coletivo – trabalhadores e população em geral – tornou-se um entulho a céu aberto.

NO CONGRESSO TUPINIQUIM, O ASSUNTO foi politizado; no Governo caipira, judicializado. No real, prejuízo em todos os sentidos. A ciência continua sem mudar de opinião e sem oferecer alternativas tolas e desnecessárias. Duarte Nogueira não perde apenas seu precioso tempo, desgasta-se política e eleitoralmente. Já não se sabe quando está agindo como prefeito ou como candidato à própria sucessão. E expõe uma fragilidade partidária nunca vista. Foi incapaz de sensibilizar com argumentos as principais lideranças do poleiro tucano. Vida que segue…

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor