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São três Brasis, e a mesma ‘desvontade’

José Fernando Chiavenato, jornalista das antigas, que tenta enxergar o Brasil sem miopia política ou catarata social

À QUAL BRASIL NÓS PERTENCEMOS? Ao Brasil tupiniquim, incapaz de organizar filas de ônibus ou evitar aglomerações de profissionais de Saúde em busca da vacina da salvação? Ou ao Brasil estiloso de João Dória, que acredita pensar o Estado a partir da comodidade de seu gabinete refrigerado, no suntuoso Palácio do Morumbi? Seria, então, ao Brasil dos terraplanistas e negacionistas, que nos enxergam como meros habitantes distantes do centro do mundo, lá na mal pensante Brasília, terra dos engravatados, doutores e afins?

POLITICAMENTE, ESTAMOS ÓRFÃOS. São raros e cada vez mais escassos os políticos que realmente se importam com o nosso futuro. Nada entendem de passado e mal acreditam no presente. Há exemplos aos cachos, como se debruçados em árvores podres e frutas intragáveis. Nós, o zépovinho, nada representamos à essa gente. Somos a encheção de saco de todos eles; o desprazer de mãos estendidas esperando um aceno de esperança.

PEREFEREM A CONVIVÊNCIA TRANQUILA de asseclas, despudores e aplaudentes bem pagos e irremediavelmente irresponsáveis. Estão acima do bem e do mal. O certo a eles pertence. Errados somos nós. Aliás, somos o erro da sociedade. Essa parte mal colocada na base da pirâmide social. Por isso nos tornamos excluídos. Pensar é perigoso quando não se reza a cartilha da ignorância; resistir já é um ato de rebeldia institucional. Para isso somos criados: obedecer sempre e questionar jamais.

NOSSOS GOVERNOS SÃO IMPRÓPRIOS e mal definidos. Politizam o quase essencial e judicializam a essência do quase nada. Difícil, mesmo, é saber o que pensam. Não há diálogo com o homem comum e faltam palavras à toda sociedade. Assemelham-se ao inocente jogo do resta 1 – trocando peças aos atropelos e dificilmente acertando o alvo nunca escolhido. Estamos condenados a orfandade governamental.

O BRASIL NÃO É PARA AMADORES. Mas o preço do profissionalismo político é muito caro. Para nós, logicamente. Nunca para eles.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor