Quem é o enviado de Deus?

Foto: Pixabay

Há tipos e tipos de pastores. Um deles é o cão, que nos devota fidelidade e amor sem nada cobrar em troca. Outros, são aqueles que pretensamente pregam a voz de Deus e se valem da Bíblia como guia para nossas vidas. São humanos, ou assim se julgam. Anunciam o paraíso terrestre e trocam bênçãos ilusórias por valores fixos e bens materiais. Ambos, cão e humano, tiveram um triste encontro há dois dias. Inimaginável o diálogo raivoso entre um e outro.

O cão, ao contrário do que se imagina, foi atacado de forma brutal e inclemente por um pastor humano que se diz representante de Deus. Açoitado, submisso, indefeso e humilhado, o cão foi torturado e sangrado até o desfalecimento total de suas forças. O outro – o pastor humano – valeu-se da força bruta, utilizou falsos mandamentos e cercou-se dos ensinamentos que supostamente encontramos na Bíblia sagrada. “Foi um ato educativo”, justificou-se perante os homens fardados que atenderam aos justos apelos de vizinhos.

O cão pastor parece ter recuperação. Está sob custódia de uma ONG de jovens voluntários. Teve ferimentos tratados e sua saúde mental – ao que parece – pode ter conserto com o passar do tempo. Já o homem pastor – que prega fraternidade e amor à toda humanidade – está encarcerado em seu devido e merecido lugar. Lógico que será libertado muito em breve, graças à contribuição de seus seguidores e a atuação de porta-de-cadeias que sempre carregam uma providência “divina” debaixo dos braços ensebados. A Justiça que esperamos – dos Homens e da Lei – mal será executada. O Homem pastor haverá de criar uma história tão convincente quanto inútil. Mas conseguirá reconquistar a própria liberdade.

E como todo ‘bom’ cristão, ainda terá tempo e coragem para falar com seus próximos seguidores. O Brasil que não enxergamos ou tentamos não ver com nossa ilusória miopia política, é bem pior do que o Brasil em que vivemos. Um crime dessa proporção, em um país minimamente sério, manteria o falso pastor humano por um longo tempo atrás das grades. Justo e merecido. Mas há diferenças. O cão pastor não vota e nem tem seguidores. O falso profeta carrega consigo a ignorância de algumas dezenas de votos inúteis. Bobagem tentar explicar com palavras. O Brasil segue sua triste sina.

José Fernando Chiavenato

Jornalista das antigas, que tenta enxergar o Brasil sem miopia política ou catarata social. É um teimoso profissional, alguém que ainda acredita que dias melhores virão; mas sabe que o pior sempre vence a corrida da tragédia. “O ser humano precisa ser reinventado, essa geração não deu certo”, confissão que o autor jura ter ouvido de Deus.

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