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Que rei sou eu?

A CANDIDATURA DE JOÃO GANDINI subiu no ponto mais alto do telhado emedebista. Tenta se equilibrar numa perna só, saltitando feito um Pererê às margens de um lago infestado de jacarés famintos. O juiz aposentado resiste como pode, e nega-se a aceitar o próprio destino. Já está decidido: se quiser, no máximo, vai figurar como candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Ricardo Silva, PSB. O alto staff gandinista quer reverter o acordo determinado por Brasília.

JOÃO GANDINI SOFRE DE ‘JANISMO’ ao quadrado. Acredita que, recusado pelas lideranças do MDB, anda poderá voltar ao posto carregado pelos braços da militância. Erro de leitura e um cálculo pessimamente engendrado. A aversão que pesa sobre ele vem exatamente das bases do partido. Gandini é informalmente ‘acusado’ de ter crises de ‘juizice’, suspendendo agendas oficiais para recolher-se ao isolamento em um sítio da região. Não foram poucos os naturais e pré-candidatos que levaram essa reclamação aos comandantes do partido.

DOIS OUTROS ACONTECIMENTOS PRECIPITARAM a decisão interna do MDB. Primeiro, o fraco desempenho nas pesquisas de opinião pública. Três delas, pelo menos, apontam um triste e inodoro quarto ou quinto lugar na corrida sucessória. Muito pouco para ser recuperado em tão pouco tempo. Segundo, a insistência em manter-se na mídia apenas como anunciante de um livro de poesia, enquanto o universo político tupiniquim debatia desemprego em massa de garis, crise na Saúde e incerteza na Educação.

COM O DESCARTE, O MDB RESSUSCITOU seu apoio em direção ao PSB, repetindo a dobradinha de 2016. Gandini garante publicamente ter forças suficientes para resistir internamente, mas já foi devidamente avisado e oficialmente informado. Tenta fazer marolas e provocar um tsunami improvável. Pode se afogar no afoitamento. Política nem sem sempre tem rima rica e pode, sim, marchar por caminhos incertos. Gandini deve desmentir essas bem traçadas linhas.

ALGUNS DE SEUS VELHOS ALIADOS – partidos menores que integravam o chamado bloco de oposição – não devem segui-lo em apoio a Ricardo Silva. Casos do Cidadania e Podemos, onde as lideranças de Carlos Cesar Barbosa e Dulce Neves, já falam em parceria com o PDT de Lincoln Fernandes. Essa candidatura, aliás, é hoje a principal torcida do Palácio Rio Branco. Duarte Nogueira sonha assistir de camarote a disputa eleitoreira entre Lincoln e Ricardo.

A REENGENHARIA SUCESSÓRIA AINDA vai caminhar a passos lentos, e o martelo das decisões irá bater somente em setembro, com a chegada das convenções. O PDT tornou-se a bola da vez, capaz de pesar para esse ou aquele lado. Lógico que o embate populista entre Lincoln e Ricardo pode beneficiar mais a terceiros do que a si mesmo. Mas a conversa passa por dois turnos de acertos e desacertos. Oremos. É o que nos resta.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor