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Promessa é dívida; palavra tem valor

DUARTE NOGUEIRA JOGOU POR TERRA uma de suas principais bandeiras de campanha: a de tirar Ribeirão Preto das páginas policiais. Não deu conta. Ontem, à luz do sol e sem acanhamento, a Polícia Federal invadiu salas e gabinetes em busca de provas do que qualificou e nominou como a ‘Farra das Ambulâncias’. Apreendeu documentos, tomou posse de computadores, celulares, revirou gavetas, abriu armários e saiu com as mãos cheias. O desdobramento deve preocupar o Palácio Rio Branco.

APESAR DE SITUAÇÕES DIFERENTES, mas não tão distantes, a operação Sevandija também começou com investigações preliminares, que dona ex-prefeita Dárcy Vera juramentava que “não iria dar em nada”. Ela mesma passou mais de dois anos atrás das grades. Talvez não seja o caso, mas não deixa de ser uma mancha no Governo que tem por hábito bater no peito e clamar moralidade – discurso que certamente levará (ou levaria) aos palanques eletrônicos da reeleição. Duarte Nogueira terá de correr atrás. Até se provar que vírgula não é letra, o caso vai resistir durante toda a campanha.

O QUE É, AFINAL, A FARRA DAS ambulâncias? Segundo o vereador Orlando Pessoti, PDT, o governo tucano alugou quatro ambulâncias por três ou quatro meses ao custo superior de R$ 1.100 mi. Mais que isso. Esse mesmo Governo dos tucanos tem em suas garagens mais de 13 novas ambulâncias, sem uso, ainda sem documentação e todas igualmente preparadas para atender a alta demanda de pacientes com o triste advento do Coronavírus. Muito mais que isso. As ambulâncias alugadas são de propriedade de um cabo eleitoral do prefeito Duarte Nogueira. Uma negociata de compadrismo.

VERDADE OU NÃO, NOGUEIRA terá de se explicar na Justiça. E vai descobrir pela dor a diferença que sempre existiu entre a legalidade e a moralidade. Não basta ser legalista, é preciso a exibir moral da mulher de Cesar. Na política, principalmente em disputa de cargos eletivos, o que menos importa são os fatos. As versões, se bem exploradas, valem muito mais. Podem custar carreiras. Algumas que se lamentam, outras nem tanto. A campanha tucana, defensora da moralidade, há de se explicar.

OS PODEROSOS DO TRANSPORTE urbano insistem: querem receber R$ 4,5 milhões dos cofres públicos. Alegam estarem no prejuízo nessas épocas de Coronavírus. Mentira. Encheram os bolsos em períodos absolutamente normais, nos oferecendo um serviço de baixa qualidade, sem horário, sem abrigo para usuários e transporte com baratas e escorpiões. Agora, na hora de demonstrar voluntariedade e humanismo, fecham as portas e deixam de cumprir obrigações patronais. Pior. Incentivam motoristas a cruzarem os braços e negocia com um sindicato fraco e despersonalizado a assumir uma responsabilidade incabível.

SE TIVESSE UM MÍNIMO DE AUTONOMIA, coragem, independência e competência, a Transerp já estaria mostrando as garras necessárias. A empresa pública é credora de, pelo menos, R$ 13 milhões do tal Consórcio que administra o transporte coletivo. Além de não pagar a dívida, o grupo induziu o Tribunal de Justiça ao erro, de forma propositada e deliberada. Não é opinião e nem chute dessa nada humilde coluna. Basta ir aos autos da Câmara e ver o depoimento do senhor Carlos Roberto Cheruri ao vereador Marcos Papa, presidente da CPI que investiga o caso. Mas, confesso, nossa imprensa é muito preguiçosa.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor