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Platão sem fim

É mulher, loira e bonita. Já foi miss, madame e de sobrenome pomposo. Teria tudo para ser uma eterna socialite, dessas de olhos coloridos, casacos grossos e elegantes para espantar o frio. Nunca se permitiu adormecer na luxúria ou mesmo desfrutar de grifes que nunca pudesse sustentar com o próprio suor. Sozinha, dispensando familiares chatos e parentes de gostos duvidosos, enfrentou ilógicas razões e criou como bem quis os próprios filhos. Todos – garanto – são admiráveis. Souberam respeitar a liberdade de escolher caminhos e oportunidades. Orgulho de ser amigo de Chris Carolo.

Se o jornalismo fosse Justiça, ela hoje estaria plenamente contratada. Tem não apenas a pose de quem escolhe inimigos, mas a coragem de desafiar poderosos e lançar desafios quase inimagináveis. Chris não é recomendável para quem apenas pensa o óbvio, menos ainda para os ‘ditadores’ da moda social. Absorvo com rara admiração textos e opiniões que ela faz questão de registrar em nosso dia-a-dia. Chris é quase única, mas certamente uma raridade feminina neste universo de machões covardes e omissos. É um de meus melhores e mais admirados partidos políticos. Não de siglas ou filiados: enxergo-a como a luz de uma cidadania pura, necessária e corajosa.

Nada escapa de suas lentes justas e imperdoáveis. Chris parece exercer uma vigilância quase permanente sobre meu péssimo humor e forte determinação de desistir da luta. A cada dia, a cada momento, ela surge e ressurge injetando ânimo e coragem neste calejado pobre escriba. Dividimos a mesma e rara coragem, mas não comungamos de igual paciência. Chris resiste e é resiliente. Sou apenas um velho teimoso, cansado de enfrentar a burrice diária dos falsos moralistas e amantes do verde-amarelo, como se isso os condecorassem de patriotas. São otários, e eu apenas os desprezo.

Chris tem a paciência ilógica de enfrentá-los. Invejo-a pela força e destemor. Nada que não se perdoe diante de uma farta panela de galinhada e um bom vinho lusitano. Ela cozinha como poucas e me recebe como quase ninguém. São papos inesgotáveis e inesquecíveis. Fica o convite para aceitar o convite dela. Bem possível que nada decidamos e nem mesmo encontremos solução para nossas dúvidas. Para isso, afinal, são feitos os amigos. Para vivê-los e amá-los.

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José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor