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O vai e vem dos que nunca foram

DOMINGOS ALVES NÃO É UM CIDADÃO comum. É um dos principais pensantes da USP, onde integra o Departamento de Inteligência. É médico, professor respeitado e com notoriedade acima da média. É ele quem está dizendo que a reabertura do comércio em Ribeirão Preto – desde o último final de semana – “é criminoso e genocida”. Com as mesmas palavras, ele analisa o retorno às aulas, anunciado para outubro. Relembra o pecado capital de dois governantes – João Dória, no Estado; e Duarte Nogueira, no município: falta de diálogo.

O CIENTISTA TORNOU-SE UM DOS mais entusiastas estudiosos do COVID19. Do pouco que ainda sabemos do vírus, ele sabe tudo e tem números convincentes. Fala com firmeza e convicção. O suficiente para ser consultado por qualquer governo sério. Tem falado aos quatro ventos. Seus prognósticos têm sido exatos e sem exageros. Por isso mesmo, doloridos e mal recebidos pela classe política. Não combinam com promessas e discursos enfeitados. Ainda vamos pagar caro por isso.

ELE FOI UM DOS RAROS A ERGUER o tom de voz para denunciar truques aritméticos que permitiram tirar Ribeirão Preto da zona vermelha direto para a fase amarela. Basta lembrar que truque é coisa de mágico, e mágico vive de iludir as pessoas. Domingos Alves teme pelos números futuros. Sabe que o relaxamento social vai ampliar a transmissão do vírus e que a falta de ferramentas políticas – como a não fiscalização, por exemplo – contribuem para ampliar o caos da medicina.

DUARTE NOGUEIRA, DO MAIS ALTO pódio de sua costumeira arrogância, não lhe dá ouvidos e nem importância. Acredita mais na sorte do que no juízo. Crença e ciência são caminhos opostos e desiguais. Raramente caminham na mesma direção. O prefeito faz políticas públicas sem nem mesmo sequer sair de seu Gabinete. Tornou-se – de forma politicamente precipitada e enganosa – porta voz da tragédia. É ele quem, sistematicamente, três vezes por semana, anuncia quantos morreram e quantos foram infectados.

QUALQUER MARQUETEIRO DE PLANTÃO saberia lhe dizer que ser protagonista de péssimas notícias nunca é bom para o ambiente que ele, prefeito, frequenta. Corre o risco de ser identificado como um urubu em cima da carniça. Mas essa é outra história, voltemos aos informes do doutor Domingos Alves. Pelo posto que representa, pelas confirmações de seus anúncios, pela coragem assumida e pela seriedade com que professa a ciência, não poderia ser desprezado pela política.

DUARTE NOGUEIRA, NO ENTANTO, tornou-se refém de um Governo descerebrado e sem alma. Um amontoado de parceiros que não vibra e ainda não descobriu a virada do século. Alguns até mesmo nem saíram das cavernas. O resultado é desastroso, nem poderia ser diferente. Há exceções, claro, mas vamos nos espelhar pela medíocre e imprudente maioria. Ao nomear insípidos e covardes, o prefeito impõe limites perigosos ao próprio Governo. Torna-se ele mesmo conselheiro de si mesmo. Poderia soar como piada, mas é verdade.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor