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Nem melhor, nem pior; apenas igual

A REGIÃO METROPOLITANA DE Ribeirão Preto é formada por 34 municípios e quase 1,5 milhão de habitantes. A área de influência da capital tupiniquim vai muito além. Reflete em quase todo sul de Minas e em mais de duas dezenas de outras cidades paulistas. A soma de moradores deve chegar facilmente aos 2 milhões. Duarte Nogueira tem, portanto, o cargo político mais invejável deste grande e rico pedaço de chão brasileiro. Sem governo, contenta-se em ser prefeito. Um erro quase irrecuperável. Imperdoável, certamente.

DIANTE DA EPIDEMIA DA COVID 19, confesso, esperava mais ação e menos discurso. Principalmente de quem é filho de médico zeloso e de um político atrativamente inventivo. Nogueira, o filho, parece especializado em encontrar palavras, suspirar números e acreditar em teorias, cifras e estatísticas que só mesmo ele e alguns de seus iguais compreendem. Perda de tempo. Desperdiça o nosso tempo e mal aproveita o dele próprio. Um rei que se auto-abdica do prazer de voar mais alto.

FIGURA DE DESTAQUE DO PSDB, partido onde foi quase tudo – desde deputado estadual, secretário de Estado por três diferentes pastas, deputado federal, líder da bancada e presidente regional – deveria se impor mais diante dos tucanos emplumados e reclamar a fatia que verdadeiramente lhe cabe do bolo partidário. O PSDB, no entanto, me surge como o menos culpado. Duarte Nogueira me parece acomodado, acreditando nos próprios passos e acreditando que o acaso irá lhe sorrir a qualquer momento.

O PREFEITO NÃO FEZ A LEITURA correta e no tempo exato. Deixou passar o cavalo arreado e não tentou montaria. Deveria, diante do quadro sinistro e alarmante, transforma-se na liderança que os brasileiros tanto esperavam e ainda esperam. Calou-se quando deveria erguer a voz, e discursou quando poderia tomar atitudes. Isso não o fez melhor e nem pior do que qualquer outra liderança de cidades menores e quase fora do mapeamento político. Com um mínimo de coragem e uma dose de lógica científica, sairia daqui aclamado para cargos maiores. Preferiu apostar na sucessão. Sai igual. Pouco menor, quem sabe.

DUARTE NOGUEIRA NÃO PODE reclamar da própria sorte. Teve chances incríveis de escolher caminhos e provocar atalhos. Pisou no freio e derrapou em curvas insignificantes. Agora luta bravamente contra números que ele mesmo poderia ter evitado. Tornou-se mais um entre tantos iguais. Concordemos, é muito pouco. Acertar no atacado e errar no varejo tem um custo alto e uma cobrança coletiva. Agora, resta-lhe brigar contra desabafos irreais e enfrentar a emoção dos desesperados. Política deve ser tratada como ciência. Quase exata.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor