Festival fake, sem news

Edinho Silva, prefeito de Araraquara - Foto: Divulgação

Edinho Silva, de Araraquara, deve estar muito distante de ser o melhor prefeito do Brasil. Mas faz – ou tenta, pelo menos – fazer um governo humanizado. Já teve experiência nacional, foi ministro das Comunicações, e exerce o cargo pela terceira vez. De bobo, nem mesmo o branco dos olhos. Mas carrega, segundo as Fake News oficiais do comitê das maldades, um grave e irreparável pecado: é petista. Tornou-se vítima oficial nos últimos dias. Declarou lockdown pela segunda vez em sua cidade.

O suficiente para ser crucificado em rede nacional. Uma senhora – que não se identifica e nem apresenta provas concretas – jurou pela cruz de Cristo que uma vizinha matou, cozinhou e comeu o gato de estimação para saciar a fome da família. Sugeriu, de forma clara, mentirosa, que a população de Araraquara está morrendo de inanição. A imprensa, lógico, levou o assunto adiante, mesmo sem provas ou sem certificar-se das verdadeiras intenções dos ‘inventores’ da notícia. 

Joel Carradine, amigo jornalista do norte italiano, me pede pelas facilidades da internet informações precisas sobre ‘uma cidade rica que está morrendo de fome e sendo obrigada a sacrificar animais de estimação’. Surpreende-se quando digo que o fato não é fato, é mentira pura e descarada. “Ma e le autorità non intervengono in questa piccola vergogna”, pergunta-me com o interesse natural de todo bom repórter. Surpreende-se quando digo que isso faz parte do próprio governo central.

Antes que me perguntem, adianto que Edinho Silva não faz parte de meu rol comum de amizades. Tive com ele dois ou três encontros, todos profissionais e nem sempre bem-sucedidos. Divergimos em alguns pontos de vista e não nos afinamos em gestão pública. Mas o reconheço como um político bem-sucedido e bem capacitado. Teve a coragem que poucos outros prefeitos tiveram neste Brasil: fechar a cidade e isolar seu povo dos riscos desnecessários com a contaminação externa da Covid-19.

Os números de Araraquara, embora contestados e falsificados pelo gabinete do ódio, são expressivos e tiveram resultados aplaudidos por técnicos, cientistas e pesquisadores que merecem crédito. O que vem pela frente é o imprevisível de quase sempre. Edinho Silva desafiou poderosos. Fechou o comércio, interrompeu a indústria e impediu visitantes desnecessários. Mas carrega o ‘pecado’ de ser petista. Talvez seja crucificado em praça pública. E isso lhe custe ainda maiores dissabores.

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