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ENTÃO, NÃO QUERO MAIS; VOU BRINCAR DE OUTRA COISA

DUARTE NOGUEIRA NÃO GOSTOU DOS números. Fez cara de poucos amigos que ainda lhe restam e determinou o fim da reunião. Estava cercado de secretários, puxa-sacos, aspones e outros históricos ninguéns que lhe aplaudem por conta dos altos holerites. Do lado de fora da sala, um aglomerado de segundos e terceiros escalões tentavam adivinhar o porquê do capcioso silêncio que tomou conta do prédio. Alguns, durante a viagem de retorno às suas bases, foram ligeiramente informados. Estavam lendo – ou ouvindo – números da mais recente pesquisa sobre a sucessão eleitoral.

DUARTE NOGUEIRA ESTAVA, PELOS percentuais que ele mesmo encomendara, fora do segundo turno – independente dos quadros e cenários pesquisados. Dizem que o prefeito ficou irado, mas manteve o tom cautelar e anunciou disposição de abrir o caminho para quem quisesse substituí-lo nas urnas. A plumagem do mais alto tucanato tupiniquim ficou assim, assim, digamos, boquiaberta. “E nós, lá, temos nome para isso? ”, perguntaram-se em silêncio. Sonoramente, Duarte Nogueira aproveitou para, mais uma vez, culpar assessores e afins como responsáveis pelo mau juízo popular de seu governo. “Eu faço a minha parte, não posso também fazer a de vocês”, encerrou a sessão.

PESQUISA/SONDAGEM FOI CRUEL. Os números machucaram o ego inflado do senhor prefeito e quase surpreenderam muitos de seus principais companheiros de Governo. Alguns setores da Administração foram jogados por terra; outros, vieram na esteira agindo como pá-de-cal. Diante dos fatos, o prefeito se mostrou disposto a recuar das próximas urnas. Afinal, nenhum quadro o colocava adiante do primeiro turno. A decadência dos decimais, sob a leitura de um experiente e renomado pesquisador, foi uma chicotada no Palácio Rio Branco.

FOI NESSE INSTANTE, DIANTE DO espanto geral, que Duarte Nogueira profetizou: “Se estiver assim, estou fora… Prefiro ver quem me sucede para todos verem que não fará melhor”. Obvio que alguns ainda tentaram demove-lo da ideia. Sugestões para novas sondagens, o momento atual de grandes dificuldades, a pandemia, obras ainda não entregues, insatisfação dos servidores… tudo serviu como desculpa ou justificativa. O prefeito, segundo relatos oficiosos, manteve-se entre o impávido e o impassível. Cenário que ele sabe bem interpretar.

NO SENTIDO CONTRÁRIO DO Palácio Rio Branco, três nomes despertaram a atenção das pesquisas. Um deles do próprio prefeito. Duarte Nogueira, no entanto, não venceria nenhum dos outros dois nem mesmo no primeiro turno. As eleições seriam mais fáceis entre o agora deputado federal Ricardo Silva, PSB, e o neófito emedebista João Gandini. Mas, em outro cenário, até mesmo o deputado estadual Rafael Silva, PSB, ainda que de forma mais apertada, também iria ao segundo turno para debater-se com o mesmo juiz aposentado João Gandini.

LÓGICO QUE A REUNIÃO SERÁ devidamente negada pelos tucanos, que juram nunca ter acontecido. Mais natural, ainda, que o instituto de pesquisa conteste ter feito essa sondagem com mais de mil eleitores nos mais diversos parques eleitorais de Ribeirão Preto. Mas, como diria o filósofo contemporâneo Messias Bolsominion: “E daí? ” Os números foram debatidos abertamente e em segredo. Mas as paredes têm ouvidos. E aprenderam a falar.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor