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Então, é assim?

Dois vereadores e um deputado federal por Ribeirão Preto nos oferecem a exata medida da mediocridade política em que estamos mergulhados. Não é por acaso e muito menos por perseguição. São ridículos, na verdade, como a extensa maioria dos políticos que nos representam– em instâncias distantes ou separadas. Ou imaginam nos representar. O deputado Ricardo Silva, prestes a abandonar o PSB (uma meia verdade diante da intolerância que ele tem provocado entre seus pares na Câmara Federal) vota em pé um apoio descabido ao aumento do fundo partidário – evoluindo de R$2 bilhões para quase R$ 7 bilhões como verba oficial aos partidos e consagrados filiados.

Com a mesma cara de pau que se insurgiu contra essa nada humilde coluna e foi reclamar aos patrões, valeu-se do vazio do Congresso e fez um discurso auto gravado onde cometeu o dessagrado hábito do vitupério. Elogiou o presidente Bolsonaro e fez loas ao veto providencial do projeto. Ou seja, trocando em poucos e bons miúdos: não sustentou de pé o que disse sentado. Ricardo Silva aposta no nome para angariar votos, e despreza – como bom representante da banalidade oficial – atos, palavras e atitudes.

Está distante de ser ignorante. É apenas um reles político, com assento privilegiado em Brasília. Mas não demonstra nenhum gesto ou aparência de ser um verdadeiro socialista. Por isso está de partida. Deve abandonar o partido (mais um, aliás) sem remorsos ou ressentimentos morais. É um caçador de votos, um oportunista eleitoral. Trata-lo com seriedade é perda de tempo.

Aqui, em terras tupiniquins, a primeira dama do evangelismo e o surreal representante da zona leste não deixaram por menos. A vereadora Glauce Berenice, pastora evangélica – a mesma que se tornou prefeita por duas ou três semanas durante o impedimento da ex Dárcy Vera, e transformou o Palácio Rio Branco em palco coletivo de exorcismo – volta a atacar. Quer transformar a insignificante e ameaçadora Damares Alves em cidadã ribeirão-pretana. A ministra é aquela igualmente pastora evangélica que jura ter visto Jesus escalar uma goiabeira. Pior. Dialogou com ele. Outro edil, Maurício da Vila Abranches, quer data especial para comemorar o Dia do Capelão. Simples assim, abrem-se as portas e esparramam-se loas oficiais. Tudo sob às expensas do erário, dinheiro público, fruto dos impostos que pagamos e nada recebemos em troca.

Serão os únicos termos outros ergófobos com pronunciamentos tão ou ainda mais esdrúxulos que esses? Ricardo, Maurício e Glauce não são, infelizmente, as exceções; representam a política rasteira e descompromissada que elegemos. Valem-se dos cargos para negociar interesses pessoais, na tentativa de agradar rebanhos e atrair a atenção de aldeias eleitorais. Nada além disso.

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José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor