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Elogios que comprometem

DUARTE NOGUEIRA ESTÁ APRENDENDO pela dor o que desprezou através do amor. Sim, política tem fila – e é imprescindível respeitar seus integrantes. O prefeito, experiente parlamentar e não menos traquejado tri-secretário de Estado, desprezou os ensinamentos e meteu os pés pelas mãos. Não foi um bom resultado. Lançou a então ex-mulher-primeira-dama Samanta Duarte Nogueira como candidata a deputada federal pelos tucanos caipiras desta vasta e imensa região. Em terras tupiniquins, meros sete mil votos. No entorno, outro fiasco difícil de engolir. Ficou sem representante em Brasília e acabou na solidão do Palácio.

ELE PRÓPRIO SE DISSE ENGOLIDO PELO efeito bolsonarista de 2018. Foi a melhor desculpa com que pode trabalhar. Como um ato de quase desespero agarrou-se ao barco desgovernado de João Dória aqui no Estado e anunciou-se um anti-petista de primeira ocasião nas eleições da União. Deu certo, mas não deu tanto certo. Ao escolher a própria esposa como candidata herdeira de seus votos e apoios regionais, criou uma legião perigosa de inimigos domésticos, alimentando com sururu e caldo de cana o tal de fogo amigo. Talvez ele não perceba, mas paga por isso até hoje. E caro. Não lhe foi fácil desarranjar os alicerces internos do PSDB. As paredes continuam rachadas.

A APOSTA DO PREFEITO FOI TORTA E precipitada. De uma só vez, usou a emoção para racionalizar política e conseguiu romper com velhos e leais companheiros. Alguns deles pleiteavam o mesmo e justo direito. Duarte Nogueira deu-lhes uma banana na dementada eleição de 2018. Sangrou até o último instante, em praça pública, assistindo à derrocada inesperada de Samanta e o rancor festivo de velhos camaradas de campanha. O PSDB começou ali sua fase caipira mais decadente e sem inspiração. Não por acaso, hoje, Duarte Nogueira busca-se em si mesmo alimentar esperanças.

AS PESQUISAS MAIS RECENTES LHE SÃO desfavoráveis. O time que compõe seu governo é indigesto e desesperançoso. Há nomes que não frequentaria – por falta de qualidade e competência – nem mesmo um grêmio estudantil. Nogueira insiste, vai mantê-los até o limite de suas forças ou do próprio Governo. O ruim é que isso tem custo político/eleitoreiro. A mais recente avaliação de cada participante do Governo é desastrosa. Poucos – diria que raros – escapam da virulência popular. Os que restam, teriam pouca ou quase nenhuma expressão eleitoral.

PARA PIORAR, O PALÁCIO DOS BANDEIRANTES não se esquece do discurso de saudação em plena época de caça-votos aqui mesmo em Ribeirão Preto. Samanta Duarte Nogueira, na tentativa de homenagear o candidato João Dória, extrapolou os limites da bajulação. Faltava menos de uma semana para as eleições e, na sede da FAAP, o chamou de “almofadinha que vai mudar São Paulo, pois vem de uma família de aristocrata”. O episódio, divertido, não passou desapercebido. O então governador Geraldo Alkimin achou graça. Dória recontou – ou recriou – uma infância de necessidade.

CHEGOU A CITAR FOME AO LADO DA MÃE, durante o período de exílio político do pai. Foi além. Disse que se tornou rico por conta do trabalho. E negou ser um ‘alguém aproveitador da vida, que foge do trabalho’. Risos contidos e seguimos em frente. Samanta deixou de assinar Duarte Nogueira, voltou a ser Pineda. Mas o episódio, como se vê, ainda não foi politicamente esquecido. Nem na capital e menos ainda entre os caipiras. Tucanos se debandaram e outros permaneceram no ninho. Cabe ao prefeito mantê-los unidos. Ou não, sabe-se lá.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor