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É uma brasa, Moro…

JAIR BOLSONARO LANÇOU DOIS candidatos à própria sucessão. Primeiro, e de forma precipitada, anunciou-se o preferido de si mesmo, embora não disponha nem mesmo de partido. Agora, de forma descuidada, cravou o nome do ex-ministro Sérgio Moro como um dos preferidos da Direita para 2022. O presidente não sabe o que é política e nem sequer imagina que dialogar com lideranças e sociedade civis seja algo normal no século 21. Para isso existem partidos, ideias e ideais. Bolsonaro age como se estivesse nas casernas… digo, nas cavernas.

PIOR DO QUE PERDER UM STATUS invejável da Direita, Jair Bolsonaro terá a lamentar o atalho que ele mesmo proporcionou a um adversário poderoso. Vai dividir um bolo – por enquanto em dois governistas – onde poderia ser o principal anfitrião e convidado. Faz parte de seu estilo tosco de governar e mal escolher caminhos. O presidente transformou o Planalto em um abrigo de confrarias ultrapassadas, implantando o tal Gabinete do Ódio, desastrosamente zelado pelos filhos 01, 02 e 03. O 04, acredite, apenas passa o rodo em condomínios.

A DIREITA BOLSONARISTA AGE COM deley de séculos diante da Direita racional. Bolsonaro escolheu o pior dos caminhos para desfazer-se de um aliado influente, prestigiado e com bom trânsito internacional – uma raridade neste Governo de olhos mal abertos. Qualquer passeio por corredores estrangeiros – da América a Europa – comprova isso. Lá fora, poucos saúdam Bolsonaro com a devida reverência. Mas qualquer estudante fundamental sabe quem é e o que representa Sérgio Moro.

É, MINIMAMENTE, O HOMEM QUE prendeu um presidente da República, ministros, senadores, deputados e a ala mais poderosa de empresários e executivos. Para muitos, é ele, Sérgio Moro, quem enfrentou os corruptos, o sistema e as quadrilhas que assombravam o Poder político e até mesmo Judiciário. Bobagem reduzir a importância de sua saída. Bolsonaro e seus iguais irão sentir o peso da medida desmedida. Moro estará presente em cada trapalhada ou insucesso que esse Governo cometer daqui por diante. Se optar por abrir a boca, será um vespeiro.

BOBAGEM NÚMERO DOIS É PENSAR que o estrago maior já está feito. Sérgio Moro ainda nem abriu a caixa de ferramentas. As duas décadas de experimentação na Justiça Federal ainda vão lhe render bons frutos. Deve ser hoje o dono do mais importante acervo político desse país. Cada vírgula ou pedaço de frase que colecionou durante sua nebulosa passagem pelo Ministério poderá servir como importante tesouro eleitoreiro. Para ele ou para amigos próximos. Tanto faz, desde que atinja objetivos claros.

MORO NÃO VAI PERDOAR O EX-PATRÃO. Afinal, foi atraído para um cargo, sob promessa de ser elevado a outro, e teve que dispensar uma sólida carreira de 23 anos. Acreditou, simples assim. Agora, deve estar espumando raiva e ódio ao ver o que antigos aliados dizem dele pelas redes sociais. Passou a ser tratado como comunista, traidor, antipatriota, oportunista, fraco, incompetente… e por aí vai. Vamos combinar, não é pouco. Para sobreviver, terá que se reinventar no universo político. Já tem partidos e convites à disposição.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor