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De quem é a culpa? Do povo, ora direis

AS NOTÍCIAS QUE ME CHEGAM DE Ribeirão Preto são teimosamente chatas, burras e repetitivas. Com exceção da vitória do Botafogo sobre o São Paulo, a cidade ainda vive o drama da Dengue, as complicações da Educação, invasões de postos de saúde, e o convívio diário com buracos de ruas e crateras de avenidas. Parece ser proporcional. Mas não é. É um retrato de uma cidade inchada, que descobriu caminhos para crescer e não soube se planejar. Os Governos admitem: não tem culpa. É muito cinismo.

SE DESEMBARCASSE AQUI NA EUROPA com esse discursinho de zeladoria urbana, o prefeito Duarte Nogueira faria sucesso. Seria imediatamente contratado para ser Diretor de Planejamento de Trânsito de Civis em Escolas Fundamentais do Estado. Um título pomposo para qualquer porteiro espionar a vida de estudantes e saber quem cumpre tarefa ou quem chega atrasado. O mundo mudou, a sociedade exige maior participação política e Ribeirão Preto, com cem anos de atraso, anda de marcha-a-ré.

QUALQUER OBSERVADOR SOCIAL enxerga nossas diferenças. Ribeirão Preto está divorciada do progresso. Faz questão de demonstrar que parou no tempo e no espaço. Vivemos um pouco melhor do que as cavernas, mas ainda muito distante da dignidade de uma população que se diz contaminada pela cultura e pelo progresso. Continuamos colonizados. Duarte Nogueira não é o único responsável. Antes dele, outros políticos também já no prometeram a lua-de-mel social. Não houve casamento.

LÓGICO QUE É POSSÍVEL RECLAMAR pela nossa fatia; mais lógico, ainda, é levantar a voz e demonstrar que outras populações – aqui mesmo neste minúsculo planeta – existem e desfrutam do lado bom da política. Aí começa outro drama. Tenho visto brasileiros por aqui elogiando o trânsito e o transporte coletivo; a eficiência da Saúde; a preocupação social com idosos; o investimento pesado com crianças e jovens estudantes; e ruas e avenidas limpas e sem buraqueira.

POIS BEM, PARTE DESSA GENTE desavisada está falando de dois sistemas que o bolsonarismo tanto condena. O Parlamentarismo espanhol e o socialismo português hoje estão na linha de frente dos modelos de administração da Europa. Nem precisa ir longe. Dê uma volta pela Alemanha ou pela Inglaterra, fique entre a França e a Bélgica, e você vai conhecer o que grandes líderes mundiais pensam a respeito.

SIM, ORA DIREIS, MAS O SISTEMA político de distribuição de renda é diferente e não permite autonomia das cidades. Mas também não exige que o governo municipal seja inerte, a ponto de sacrificar os direitos do cidadão comum e apenas atender ao que lhe interessa política e eleitoralmente. A verdade é que o Governo pode ser sentido por aqui, muito diferente do que temos por aí. Aqui, de uma forma ou de outra, o Governo passa pela casa do cidadão todos os dias. E deixa recados. E por aí?

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor