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Caminho sem volta

Políticos, militares, simpatizantes e jornalistas parecem concordar em um único ponto: o maior inimigo de Jair Bolsonaro é mesmo Jair Bolsonaro. Poucos como ele têm a capacidade de provocar situações tão embaraçosas e desnecessárias ao próprio Presidente da República. Bolsonaro não desperdiça ocasião e nem oportunidade. Cria lambanças absurdas; mergulha espontaneamente em bazófias intransponíveis e coloca-se na alça de mira de inimigos poderosos. Depois, tenta administrar o resultado desastroso com histórias e invencionices que pouco ou nada convencem. Parece ser sua sina. As pesquisas mais recentes mostram o derretimento de sua popularidade e a falta de crédito do próprio Governo. Bolsonaro trilha com brilhantismo o atalho do fracasso.

As bravatas mal ensaiadas do 7 de setembro custaram os olhos da cara. Não se trata de monetizar a utilização de recursos públicos ou de empreendimentos feitos pelos senhores endinheirados. O desgaste político – e porque não dizer moral e social – tem um preço a ser pago. De início, o presidente teve que submeter-se ao perdão público imposto pelo ex-presidente Michel Temer. Na sequência apressada, mostrou a tolice da incongruência política em que habita. O telefonema ao ministro Alexandre de Moraes estampou muito mais como covardia do que como gesto de gentileza ou cavalheirismo. O texto, mal ditado pelo seu antecessor, foi mal digerido por alguns de seus principais seguidores. Houve protestos cruéis nas redes sociais; mal aceitação nas hostes militares e um exagerado deboche na mídia brasileira e internacional.

Bolsonaro matou parte considerável de sua real personalidade. Deixou de ser o ‘imbrochável’ que tanto se alardeia para render-se ao minúsculo papel de ‘fujão’. Parte do generalato que o serve anda tecendo críticas pessoais e políticas – principalmente porque o ministro ou o STF não lhe oferecem nada em troca. Para esses militares, o presidente arregou. Nada além. Igual sentimento também tomou conta de ilustres seguidores, embora com a utilização mais forte e escatológica de uma linguagem menos formal e mais popular. Na mídia, nenhuma surpresa. Bolsonaro continua sendo alvo de críticas e deboches. Desta vez mais expostas e mais contundentes.

O presidente acredita que em dois ou três dias se recuperará de tudo isso, reavendo o tempo perdido e reconquistando o público que ainda lhe é fiel. Pode ser, estamos falando de política e fanatismo, uma combinação perigosa e com resultados impensáveis. Mas até quando Jair Bolsonaro conseguirá viver ou sobreviver nessa gangorra de ataques sórdidos e desculpas não convincentes? Uma hora a conta chega.

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José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor