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Bem pouco de quase nada; o governo faz teatro

DOIS NOMES PROVOCARAM URTICÁRIA pelos corredores do Palácio Rio Branco: os iguais vereadores Marinho Sampaio, MDB, e Marmita, PR. A turma palaciana não conseguiu digerir até hoje os votos contrários à proposta de governo em repassar perto de R$ 5 milhões à Transerp, sob a justificativa de honrar a folha salarial dos funcionários. Marinho Sampaio – segundo fontes bem firmadas junto ao Gabinete – teria comprometido seu voto com boa parte dos servidores que o procuraram. Não foi o que se observou. O emedebista e ex-vice-prefeito foi um dos quinze iguais a negar o empréstimo.

A IRA MAIOR MESMO FOI CONTRA o voto contrário do vereador Marmita. Mais do que todos, ele havia – sempre segundo fontes palacianas – assumido a defesa dos funcionários e chegou a reunir alguns poucos deles e fazer discurso no pátio da própria Transerp. “Cada um de vocês tem família e precisa colocar alimento na mesa, sei como isso é difícil sem pagamento”, teria dito e gravado. Não bastou. O projeto foi (bi) derrotado e perdeu-se pelo caminho. Duarte Nogueira foi o primeiro a demonstrar com quantas decepções se faz uma bancada. O desabafo serviu como senha. Bajuladores e puxa-sacos logo se atreveram a esticar o elástico.

DUARTE NOGUEIRA ESPECIALIZA-SE em ser prefeito. Mas torna-se menos Governo a cada dia. Como diria o filósofo Seojair: ‘e daí? ’ O prefeito usa camisa de grife, combina calça com sapato e anuncia em vídeo a entrega de um ‘novo’ Teatro Municipal. Faz discurso ensimesmado, aponta obras feitas e não feitas, desfila por entre luzes, palco, plateia e coxias. Deu tempo para mostrar novidades. Trocou a velha e tradicional cortina vermelha por uma azul, de cima abaixo, de ponta a ponta. A tradição que busque respostas. Ou não. Azul está na moda, vermelho é coisa de comunista vagabundo.

A MELHOR JUSTIFICATIVA QUE ENCONTROU foi dizer que a cor da nova cortina também combina com as novas cores – olha que coincidência – também azuis das novas poltronas. Enfim, um teatro tudo azul. Nogueira faz bem seu papel de prefeito, principalmente em períodos eleitorais. Falta-lhe, porém, a iluminação natural de Governo. O Teatro Municipal poderia ser reapresentado à sociedade, assim como uma debutante virgem de 15 anos, em festa solene, apesar da época de pandemia.

BASTAVA UM MÍNIMO DE CÉREBRO E um pouco de criatividade. Ali poderia servir como palco da quase desaparecida Sinfônica tupiniquim. O espetáculo certamente atrairia patrocinadores, exibição por lives ou mesmo ao vivo por alguma emissora de TV. A arrecadação serviria como sobrevida da própria Orquestra, que vive mendigando favores da sociedade. Os ingressos serviriam para madames expor suas riquezas pessoais e todos sairiam satisfeitos. A cidade teria o ego inflamado.

ALIÁS, O SETOR CULTURAL TAMBÉM agradeceria igual desempenho em setores que foram dizimados pela fúria tucana. Assim como o projeto Kabuki, que atendia mais de 1.500 crianças, levando arte, música e literatura aos bairros mais distantes; e o Ribeirão Em Cena, que retirava crianças e adolescentes do canto mais imundo das calçadas para brilharem nos palcos da vida. Engavetados, os projetos não resistiram ás promessas oficiais e seus dois principais defensores – o maestro Jesiel Paiva e o teatrólogo Gilson Filho – vivem até hoje esperando respostas.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor