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A solene marcha do caranguejo

DUARTE NOGUEIRA ANDA MISTURANDO estações. Troca o nobre cargo de prefeito para assumir a triste postura de capataz. Não usa chicote, é bem verdade, mas aplica castigos que machucam a alma da cidade. O excesso de brutalidade que identifica seu Governo não condiz com o próprio passado político. É filho de um democrata liberal, na exceção da palavra e não no sentido partidário ideológico. Júnior não aprendeu como deveria a lição de casa.

PERSEGUIU COM FORÇA E OBSTINAÇÃO o Poder caipira. Experimentou derrotas e soube manter-se de pé. Bastou, no entanto, elevar-se ao mais alto cargo político da região para revelar um lado tão desconhecido quanto sombrio. Patrocinou aumentos desnecessários, destratou o funcionalismo, abandonou a zeladoria, desumanizou o Palácio Rio Branco e cercou-se de incompetentes notórios. São raros os cérebros que lhe cercam. A grande maioria é formada por insonsos aplaudidores.

ARROGÂNCIA E PREPOTÊNCIA NÃO SÃO BOAS parceiras do universo político. Nunca foram. Vão solapando o terreno e destroem o alicerce. Um dia, quando menos se espera, a casa cai. Duarte Nogueira tem invejável crença em si mesmo. Sabe-se um bom e ágil articulador, capaz de enxergar um pouco adiante do óbvio. Agrada-lhe a fragilidade e inconstância de alguns de seus principais desafetos. Ou seja, sobrevive da fraqueza alheia e fortalece-se com erros adversários.

ALGUNS DE SEUS PRINCIPAIS OPOSITORES já nasceram velhos. As lideranças que hoje tentam obstruí-los estão absolutamente envelhecidas, tanto no discurso quanto na prática. Somadas, essas inconsistências não apenas enfraquecem o debate político como, ainda, favorecem quem está e pretende se manter no Poder. A máquina pública gosta de flertar com a mesmice – ainda que o igual seja ainda mais igual que o sempre habitual. Duarte Nogueira, o filho, trabalha com essa igualdade.

SEM MOVER MUITAS PALHAS, APENAS costurando um chitão descolorido, é capaz de montar uma colcha de retalhos com brilhos e paetês. Engana-se, pois, quem o imagina alijado das disputas de logo mais. Duarte Nogueira é candidato com presença certeira e garantida em qualquer hipótese de segundo turno. Se vai levar, serão outros quinhentos. Mas até aí, na soma de quinhentos e outros investimentos – se é que me faço entender – ele sai em vantagem.

RESUMINDO O RESUMO DA ÓPERA: Duarte Nogueira faz um governo chato, medíocre e sem nenhuma inventividade. Descumpriu promessas, abandonou compromissos, e nem mesmo o trivial chegou a cumprir. Como, então, continua com essa força nas urnas, haverá de me perguntar, oh, nobre eleitor? Simples, a oposição não conseguiu avançar ao século 21 e nem se reinventar nos anos 20. Duarte Nogueira – apesar dos ares de supremacia – tem cara de modernidade e um discurso de superação. Acredite, o eleitorado acredita.

DAQUI E DALI

LINCOLN FERNANDES, PRESIDENTE da Câmara, mandou confeccionar cheques gigantes e comemorou a devolução de quase R$ 50 milhões aos cofres públicos, resultado de economias feitas nos últimos três anos parlamentares. Em nome de 26 outros vereadores, pediu que, pelo menos, R$ 500 mil fossem destinados ao Hospital do Câncer de Ribeirão Preto. Desperdício de tempo. O prefeito Duarte Nogueira aplicou-lhe um sonoro e retumbante NÃO. Alegou indisposição técnica.

MAS NÃO ERA BEM ISSO. ALIÁS, não foi nada disso. O colunista social Amir Calil foi o único a publicar a quase silenciosa visita que o prefeito realizou nessa semana ao mesmo hospital, onde foi recebido com honras e agradecimentos. Detalhe: Nogueira se fez acompanhar de apenas dois vereadores. O médico e não mais candidato Luciano Mega e o cada vez mais abúlico Rodrigo Simões, pretenso concorrente a vice na chapa oficial do prefeito. Não houve promessas de verbas, mas para bom entendedor…

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor