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Os iguais de sempre

IDIOTAS PROFISSIONAIS E imbecis ainda em formação adjetivam de esquerdista qualquer voz dissonante do falso mito Jair Bolsonaro. Uma das justificativas mais dóceis e delicadas vem em forma de “…se fosse no Governo da Dilma isso seria certo…”. Deve haver estupidez maior, mas essa excede qualquer patetice social que vivemos no momento. E observe que bobagens não nos faltam na vida pública desse país. Apesar do saco cheio, ainda os tolero. Idiotas ou imbecis estão no meio do raio de minhas ações, não me tornei profissional de comunicação por acaso. Foram anos de convivência com poucos intelectuais e com um excesso inevitável de inúteis. Nonino, Danonas, Júlio, Zaidan, Briza, Veloso e tão raros outros foram verdadeiros mestres. Certamente me faltam nomes e exemplos, mas insisto em incorrer na falha do esquecimento a ter que me socorrer da falsa idolatração.

À FAVOR DESSA CAMBADA de apalermados que tomou conta das redes sociais, é que seus antecessores e oponentes – os lulopetistas, por exemplo – também agiam da mesma forma. Castigavam a nós, jornalistas, com títulos de ‘direitistas’ ou ‘atucanados’ quando qualquer tipo de crítica era dirigida ao governo de Lula e seus iguais. Tenho o lombo calejado por essas imperfeições domésticas. Mudou apenas a retórica, hoje menos educada (muito menos) e eivada de ameaças públicas e mal explicadas. Bolsominions não admitem conversa, estão acima do bem e do mal. Lulopetistas, pelo menos, admitiam opiniões contrárias. O sistema bolsonarista é quase bélico. Exemplo que vem de cima e chega até às soleiras do bas-fond.

ISSO NÃO OS TORNA MELHOR do que outro? Não. Apenas denuncia que estamos atravessando um normal período perigoso de escassez política, sem contabilizar ideias e absolutamente sem planos para uma geografia chamada Brasil. Seria o fim da esperança? Talvez, mas responda para si mesmo quem é que ainda alimenta uma boa expectativa em relação à classe política? O que temos é um ajuntamento de inúteis em Brasília, movidos a cargos e benesses que mal conhecemos. Os debates – por vezes virulentos e barulhentos – encerram-se nos finais de tarde. A partir daí, eles se frequentam. Escolhem o mesmo prato de lagosta e dividem o vinho italiano.

ANTES QUE ME ACUSEM, NÃO sou um revoltado. Longe disso. Também aprecio uma boa e renovada mesa de jantar – uma quase ceia, melhor dizendo. Mas há gente morrendo de fome neste país, crianças desnutridas e adolescentes inanes. Não os vejo representados nas ruas, diante de desfiles mal organizados por partidos ou facções ideológicas. Bradam apenas por novidades, surpresas e, consequentemente, o voto. Democracia não é apenas votar. Nunca foi. Democracia é dividir o pão e igualar direitos. Direitos? Palavra estranha, talvez mereça uma nova reflexão.

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José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor