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Lheo Zotto: Griot de Rua há 25 anos

Representante da primeira geração do hip-hop nacional segue em atividade com muito trabalho, lançamentos, e a postura combativa dos precursores do gênero

O griot (a pronúncia é griô), presente nas sociedades de diversos países da África Ocidental, é um indivíduo transmissor de conhecimentos, de maneira oral, usando a música e por meio de contação de histórias. Tradições, mitos, filosofias, artes e história são passados adiante por pessoas com essa vocação, formando a cultura de crianças, adultos e até de integrantes de famílias reais africanas. Mais ao Ocidente, nas Américas, herdeiros da cultura africana, mesmo depois de séculos de transformações, carregam o DNA dos ancestrais que levavam informação. Muitos deles estão na cultura Hip-Hop. No Brasil, um deles é Lheo Zotto.

Foto: Vinicius Barros

Resumo da história

Leonardo de Morais Junqueira, 44 anos, é mineiro de Uberaba, onde começou a dançar break e fazer rap, ainda nos anos 80. Em 1996, foi até a final de um festival de música da Globo Minas com seu grupo “Infratores do Sistema”, cantando para mais de 20 mil pessoas. Depois, já pelo grupo “Conspiração Positiva”, assinou com um selo de Brasília, antes de vir para Ribeirão Preto para a gravadora do renomado DJ Yzak. Lançou álbuns, tocou em muitos estados e se consolidou como artista profissional contribuindo também com palestras, oficinas e workshops.


Depois de um hiato entre 2008 e 2011, Lheo Zotto começou sua carreira solo lançando vários singles e a promotape “Ebó de Rima”, além de videoclipes. Em 2013, chegou a ser o Mestre de Cerimônias oficial do evento que trouxe, aqui em Ribeirão Preto, o pai da cultura Hip-Hop, o lendário DJ Kool Herc. Depois, voltou para Uberaba onde lançou o selo “Malandrinhação”, onde atua como produtor e beatmaker e já trabalhou com diversos artistas. Resumindo, Lheo Zotto é patrimônio vivo da cultura Hip-Hop e representa uma geração que construiu a história e preserva os valores dos griots da África, a quem chama de mãe, num contexto muito diferente de uma nova geração de garotos que, hoje, fazem o rap que é hype na internet.

No presente: uma obra-prima

Agora, já são 25 anos de carreira completados no ano passado e comemorados em grande estilo com o lançamento do álbum “Hip Hop de Terreiro”, no qual apresenta o bom e velho boombap nas bases com muita musicalidade, e nas letras, referências ricas ao legado da cultura e religiosidade herdeiras da África aqui no Brasil. Uma aula de rap do bom em 1 hora de álbum, como nos velhos tempos. Aqui, destaco as faixas “Cadência”, que tem a ótima participação de Camila Rocha, “Hiato”, um hino motivacional literalmente de coração, e a faixa final “Cypher do Quintal”, que conta com uma poesia de mestre do mestre Bazaka, Alessadro Dornelos, companheiro de longa data de Lheo Zotto.

Depois do álbum, já em 2020, saiu o single “É o Rap”, que deixo aqui para o play de vocês. Ouçam o álbum e esperem. A julgar pela geração dos mestres brasileiros do rap que continuam em atividade mantendo a raiz viva em tempos de aparências, nomes como Gog, Black Alien, todos os Racionais, Eduardo, Marechal e muitos outros griots de rua não muito celebrados pela mídia, muita coisa boa ainda vem por aí. Vida longa!

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João Pitombeira
Jornalista em atividade desde 2009 com passagens por BandNews FM, Bandeirantes Am, Rádio Globo Am, CMN/Jovem Pan, Folha de S. Paulo e G1, entre outros trabalhos. Atua também como produtor cultural e músico. Contato:joaopitombeira@gmail.com