Esquecimento ou falta de tempo?

NÃO É BURRICE, É MÁ VONTADE, MESMO. Talvez até mais do que isso. Fato é que o governo do senhor Duarte Nogueira, PSDB, não nos informou até hoje – um ano já passado – porque e de que morreu uma criança de 13 anos dentro de uma escola pública, em pleno período de aulas. Lembrete apropriado: a morte aconteceu no quase esquecido bairro de Vila Virgínia. As cenas correram o mundo. A sindicância não saiu do lugar.

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PARA PERSEGUIR A PRÓPRIA MORTE, o jovem ignorou a chamada de fim de recreio e, sem ser fiscalizado em momento algum, atravessou o pátio em sentido contrário e tentou escalar uma rede de proteção. A mesma que a diretora da escola havia denunciado um ano antes, que poderia oferecer perigo pois estava sem manutenção e com fios elétricos desencapados provocando choques. O sistema de eletricidade da escola nem mesmo foi vistoriado. A denúncia não é minha, faz parte de uma CPI instalada pela Câmera de vereadores.

O ASSUNTO FOI TRATADO COMO ESCÂNDALO, embora nossas ‘austeras’ autoridades tupiniquins insistissem em falar em fatalidade. Deixaram a polemica cair no esquecimento, apostaram – e continuam apostando – no fácil e leviano procedimento de grande parte de coleguinhas jornalistas. Hoje, praticamente ninguém mais toca no assunto, na medida exata que querem e esperam nossos governantes.

O ATUAL TITULAR DA EDUCAÇÃO – um dos quatro que já passaram pela pasta em menos de três anos de Governo – diz que gostaria de finalizar o triste quadro com explicações lógicas. Mas confessa desconhecer, no entanto, em que pé estão as investigações, seja pela Polícia ou pela própria Prefeitura. Alertou tão somente para um fato que quase passa desapercebido por todos: parece terem encontrado sinais de álcool na autópsia do garoto.

O QUE JÁ SERIA TRÁGICO PELO TRISTE desfecho, passa, agora, a ter um conteúdo ainda maior de irresponsabilidade. Quem é que pode nos explicar como uma escola permite a entrada ou mesmo o consumo de bebida alcoólica dentro de uma de suas maiores unidades de ensino? Pior. Qual tipo de fiscalização e/ou autorização exercida pela secretaria de Educação? Isso, no entanto, não responde a falta de atitude e compromisso do Poder Público diante das denúncias anteriores da diretora.

A EDUCAÇÃO TEM UM CADÁVER E NENHUMA explicação durante essa triste e desprezível história. Parece não ter pressa e nem vontade de responder. Enquanto isso – e neste Governo tucano sempre parece existir um ‘enquanto isso’ – outras unidades estão se desmanchando pela mesma falta de manutenção. Quadros de eletricidade sem proteção; falta de iluminação em salas de aula; fios soltos eletrificando cercas; quadras destruídas; elevadores quebrados; sistema de ar condicionado inservíveis e por aí segue. Aceitamos explicações.