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Entre tucanos e pardais

PEDIR EMPREGO OU INDICAR candidatos ao trabalho deixou de ser crime. Nove vereadores foram satanizados antes da ‘amenização’ da Lei – inclua-se dona ex-prefeita Dárcy Vera neste rol de ‘criminosos’. Seis deles, pelo menos, não respondem por nenhuma outra atrocidade jurídica. Tiveram as intimidades de escritórios, gabinetes e casas invadidos pela força ostensiva da Polícia Federal. A operação sevandija – e quem não se recorda, em setembro de 2016? – foi um ato tão encenado cinematograficamente, quanto desnecessariamente espalhafatoso. Na dúvida, optemos pelo crédito. Tentemos acreditar e transformemos, pois, cartas de vereadores indicando postulantes a cargos terceirizados como crime de má conduta política.

O EFEITO MIDIÁTICO FOI amplo e inclemente. Afora os pedidos semioficiais, alguns agentes públicos – com pouca ou nenhuma ligação com o Legislativo – também foram incriminados por outros desvios de conduto. O Sindicato dos Servidores, com presidência e advogados, participou da farsa. Dois ou três vereadores foram realmente flagrados com jornais e revistas em ‘cafezinhos’ onde se distribuía verbas e benesses. Os demais, cometeram o ‘crime’ de indicar trabalhadores para postos terceirizados em secretarias e autarquias. Quase todos trabalhavam e justificavam seus salários. Mas a denúncia seguiu adiante e teve desdobramentos inesperados. Tivemos sentenciados e alijados prematuramente da vida pública.

O QUE DEVERIA TER UM final anunciado, ainda arde no túnel do esquecimento. Há dúvidas no processo e, bem recentemente, o jornalista Eduardo Schiavone assinou um texto apontando possíveis abusos de interesses e diálogos inexplicáveis entre delegados e agentes da Polícia Federal com altas patentes do Ministério Público. Mais que isso. Setores que não foram devidamente informados e gravações que apontam comemoração extrajudicial, às raias do universo político. OK. Voltemos ao início.

O CRIME DE ATENDER CARTAS e pedidos de vereadores continua tão ou mais evidente como nunca. Procure por qualquer secretaria ou autarquia e verifique – com nomes, postos e cargos publicados no Diário Oficial – onde não exista um só servidor nomeado pelo prefeito Duarte Nogueira, PSDB. Ou seja, o que era ‘crime’ há cinco anos, transfigurou-se agora em medida absolutamente corriqueira e normal na vida pública de Ribeirão Preto. Todos os vereadores da base de sustentação do Governo tupiniquim – e vou repetir para não haver dúvidas: TODOS – têm apadrinhados em cargos públicos, seja comissionado ou terceirizado.

TALVEZ ATÉ MESMO TRABALHEM, como fizeram seus antecessores, só que, agora, sob a escolta da Lei, sem a importunação do Ministério Público e nem a vigilância armada da Polícia Federal. O prefeito Duarte Nogueira – principal editor do Diário Oficial – é mesmo um sortudo. Tem a Lei e a Justiça a seu favor.

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José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor