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Entre sem bater

QUER DIZER QUE FICAMOS ASSIM: ESCREVEU, NÃO LEU, cacete no jornalista. Augusto Nunes, figurinha carimbada do preciosismo fascista, demonstrou com porradas o nível de tolerância da sociedade poderosa diante de opiniões adversas. Mais do que não as suportar, é preciso impedi-las com violência. Foi o que se viu ontem, diante de olhares atônitos de milhões de brasileiros. Nunes, que é de Taquaritinga, demonstrou total ausência de democracia, ética ou transigência. Agiu como manda o figurino da estupidez.

ELE DEBATIA COM O TAMBÉM JORNALISTA IANQUE Gleen Greenwald – fundador do site The Intercept Brasil – que tem denunciado ligações promíscuas entre personagens do Lava Jato. Entre ele, o ex-Juiz e atual ministro Sérgio Moro e o promotor Deltan Dellagnol. O encontro inesperado deu-se nos estúdios da Jovem Pan, em São Paulo, sob o comando suspeito de Emílio Surita. Apresentador e emissora se desculparam.

CONHECIDO POR IDÉIAS RETRÓGADAS E ACUSADO DE SER difusor de Fake News dos bolsonaros, Augusto Nunes chegou a ponto de ameaçar os filhos de Greenwald – que é casado com o deputado David Miranda, PSOL/RJ – e denuncia-los ao Ministério Público. “Quem cuida das crianças enquanto eles trabalham”, argumentou com ironia e maldade. Ao ser classificado de covarde, revidou com agressão física. Deu um soco no rosto do americano. Foi enxovalhado nas redes sociais. Nunes é comentarista da rádio Jovem Pan, da revista Veja e da TV Record.

AO SER CHAMADO DE COVARDE, NUNES EXPRESSOU outra pérola do totalitarismo: “Sou covarde, mas você levou um soco na cara”, diz o jornalista, como se agredir fosse um mérito. No meio da confusão, Emílio Surita interrompeu a transmissão dizendo que nem mulher briga tão feio assim. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo emitiu nota criticando a onda de incitação à violência nas redes sociais. O grupo afirma que “a onda de reações que se seguiu ao episódio dispara um alerta que não pode ser ignorado a respeito do estágio que a hostilidade aos jornalistas e aos veículos de imprensa atingiu no Brasil”.

NÃO MUITO DISTANTE DALI, AQUI MESMO EM TERRAS tupiniquins, há idiotas de plantão sempre dispostos a ameaçar a liberdade de expressão e intimidar jornalistas com ofensas e promessas de agressão. Não suportam o convívio da desigualdade de ideias. Não querem debater, preferem estar sempre certos. Augusto Nunes é o pior exemplo dessa mentalidade fascistóide. Nem é preciso lembrar aqui de quem e de onde partiram notas de apoio à violência cometida.

O TÍTULO DESSA NADA HUMILDE COLUNA DE HOJE, aliás e se me permitem, é uma justa homenagem ao Barão de Itararé, falso título de nobreza do jornalista Apparício Torellly, também conhecido como Apporelly, pioneiro do humorismo político no Brasil. Cansado de ser espancado pelos agentes da censura, estampou a frase à porta da redação: entre sem bater. Outra frase dele vem a caráter: Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor