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Cultura ou falta do que fazer?

DANTE MANTOVANI É NOVO PRESIDENTE da FUNARTE. Alguns dos mais importantes projetos culturais desse país passarão pelo seu crivo. Ele é maestro e também se auto denomina jornalista. Não é, nunca foi. Mas se julga acima do bem e do mal, a ponto de dizer que “jornalista é sub intelectual”. A nomeação de tal aberração para tão importante cargo, por si só, já seria um disparate político. Mas ele vem alimentado por uma série infindável e inigualável de outras bobagens.

SOBRE OS QUATRO JOVENS BRITÂNICOS que imortalizaram a consagrada música dos Beatles ele é taxativo: “Vieram a serviço do comunismo soviético, para combater o capitalismo mundial”. Não cessa por aí. Diz que a união Elvis Presley e Beatles foi uma arquitetura maquiavélica para “destruir os Estados Unidos e influenciar a moral da juventude e das famílias”. Vamos combinar, dá para se levar a sério?

MANTOVANI, CUJA BIOGRAFIA É UM emaranhado de nada com coisa alguma, vai além. Dispara contra a UNESCO um insulto insuportável até mesmo para os padrões da mediocridade moderna. “Aquilo é uma máquina de produzir pedofilia”. O que se esperar de alguém que defende a tese (de forma séria e sem rodeios) de que foi Deus quem inventou a música, mas o Diabo quem a corrompeu. Por fim, ao ingressar na esfera política, ele não tem dúvidas: “O fascismo é coisa da Esquerda”.

RAFAEL NOGUEIRA É O NOVO PRESIDENTE da Biblioteca Nacional. Importantes obras intelectuais estarão sob sua guarda durante esse período. É formado em Filosofia e Direito. Para ser empossado, defendeu a tese de que Caetano Veloso, Legião Urbana e Gabriel, O Pensador, muito contribuem para o analfabetismo do Brasil. Sua principal missão, segundo ele mesmo, é alterar a História do Brasil. É grotesco e atrapalhado. Olavista e monarquista.

SÉRGIO NASCIMENTO DE CAMARGO É O NOVO presidente da Fundação Palmares, talvez a mais representativa atuação em defesa e na promoção da cultura afro-brasileira no Brasil. Pois bem, já chegou, chegando. Nega quatro séculos de escravidão e diz que o período – do açoite, do tronco, dos estupros, das humilhações – foi benéfico para a raça negra. Acrescenta que cota racial em faculdades públicas é alguma coisa odiosa. Como se nada devêssemos à raça. Não se contém. Observa com letras maiúsculas que o movimento negro “é perda de tempo e poderia ser sepultado”.

FONTE DE INSPIRAÇÃO PARA TODOS ELES é o novo secretário Roberto Alvim, da Cultura. Aquele mesmo que destratou publicamente Fernanda Montenegro, classificando a maior atriz brasileira e sempre engajada em movimentos político/culturais como farsante e canalha. Esta nada humilde coluna foi absolutamente baseada em fatos reais, relatados e anotados por toda a imprensa nacional, inclusive as que apoiam e sacolejam o saco do Palácio do Planalto. Podem odiar à vontade.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor