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O Botafogo está rachado. E isso é muito bom!

Fato é que o Botafogo Futebol Clube está rachado. E isso é muito bom!

Quem conhece os bastidores de Santa Cruz sabe que a tendência natural do Botafogo é a composição. Muitos dos conselheiros que integram o órgão deliberativo da equipe são amigos e dão de tudo para não entrar em conflito. E admitem até perder o que não é só deles para evitar constrangimentos.

Por um lado, isso é bom, já que o Botafogo ganhou a fama de resolver seus problemas internamente, sem vazar nada sobre seus rachas, especialmente para a imprensa. Por outro, muito ruim, já que permite que muitas coisas erradas, e inclusive alguns crimes cometidos dentro dos muros do Santa Cruz, não sejam punidos e acabem se perpetuando.

Vamos combinar, foi a camaradagem entre dirigentes que fez com que o clube perdesse o Poli da Vila Tibério. Uma bobagem pessoal levou a uma dívida milionária com o banco Axial. Foi a pirraça de dirigentes que gerou um imenso passivo, com ações que variam desde deixar de pagar dívidas menores, escanteando débitos para “quando Deus quiser”, até mandar funcionários com décadas de casa “pegarem a fila” da Justiça para receberem verbas trabalhistas.

Muita gente que tinha cargos não cumpriu o papel que deveria ter cumprido, fiscalizar. Em um local sem a camaradagem que se instalou no Botafogo, essas ações não prosperariam.

Falo do dirigente que pegava camisas do Pantera Shop e pendurava na conta da diretoria; de gente que assinou contrato sem ler; de gente que tinha a obrigação de ver que uma dívida de um milhão não foi honrada e que o resultado foi uma dívida de cem milhões.

Mas sem falar do passado, o Botafogo tem uma oportunidade única nesse momento. Com um acordo para criação de uma SA finalizado e vigorando, pode começar a resolver seus problemas sem camaradagem ou amizade. E, se tiver que ir para o pau, que seja.  O Botafogo vive a oportunidade de colocar tudo às claras.

Em toda minha história como torcedor, nunca vi condições mais adequadas para a transparência dentro do Botafogo.

A transparência, por sinal, é desempenha o que conceituo como higienização normativa. Em uma analogia aparentemente simplista, mas não menos real, pode-se dizer que analisar qualquer instituição à luz desse princípio é o mesmo que, em um cômodo repleto de mofo, abrir a janela e deixar o sol entrar, impedindo o desenvolvimento de elementos patógenos. E, convenhamos, há muito tempo falta transparência no Botafogo.

É hora de todos os cardeais do clube, inclusive os com bons serviços prestados, serem cobrados. O sucesso do passado não pode ser motivo para a permissividade com os erros do presente e com a intenção, clara ou velada, de entregar, de bandeja, o clube a quem quer se seja. O Botafogo deve ser de sua gente. Depende dela e, sem sua torcida, não significa nada.

É hora de colocar as coisas na balança e dizer: obrigado pelos imensos serviços prestados, mas o Botafogo não precisa mais deles.

O Pantera tem a chance de, em uma só tacada, garantir a continuidade da Botafogo Futebol SA, que é um ótimo negócio, se equacionado, e extirpar, de uma só vez, alguns cânceres que corroem o clube há décadas. Mais que isso, de mudar o ambiente que permite que eles floresçam. Tomara que esse processo não seja interrompido.

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Eduardo Schiavoni
Editor-chefe do Portal do Grupo Thathi