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De Nogueira, dos hipócritas, do inferno e das redes sociais

Acompanhei, não sem um grande asco e sensação de fracasso, enquanto ser humano, as reações das redes sociais a respeito do acidente envolvendo o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) no último domingo. Relutei um pouco em escrever sobre o assunto, mas a boçalidade das pessoas fez com que não houvesse qualquer opção a não ser sentar o dedo. Então vamos lá.

Primeiro de tudo, um acidente envolvendo a mais alta autoridade municipal precisa ser noticiado. A imprensa, como usual, tem o papel de retratar isso, sempre de forma imparcial e respeitosa. Reconheço, ainda, que, como tem ocorrido com frequência assustadora, nenhum dos veículos de comunicação da cidade cobriu, com a devida profundidade, as causas e motivações do acidente. E faço essa ressalva mesmo levando em conta o furo de reportagem dado pela equipe do Grupo Thathi.

O furo é ótimo, mas poderia, e deveria, ser melhor. Não dá pra se contentar nunca, essa busca pela melhor informação tem que ser constante.

Feitas as ressalvas, entretanto, devo dizer que é deprimente, para dizer o mínimo, ver os comentários sobre o acidente que foram postados em redes sociais. Sou crítico ferrenho de muitas atitudes do prefeito Duarte Nogueira, e considero que o governo dele passa longe de ser uma boa administração. Momentos de cornetar o que precisa ser cornetado não faltaram, e são necessários. Da minha corneta, inclusive, não deixarão de sair jamais.

Mas não posso aceitar pessoas zombando de uma ocorrência que colocou a vida de uma pessoa em risco. Comentários em redes sociais que atingem não ao político, mas sim ao ser humano. Não se pode compactuar um milímetro com ações nesse sentido.  

Vi pessoas desejando a morte de Jair Bolsonaro, quando levou a facada, e celebrando a morte do neto de Lula. Agora, desejando que um acidente terminasse na morte de um prefeito. Onde vamos parar com essa imbecilidade, caros senhores?

Fico impressionado com a boçalidade dos “machões” de redes sociais. Muitos deles “candidatos a candidatos” a cargos públicos nas eleições de 2020 e que preferem a palavra fácil e contundente, mas esquecem do trabalho necessário para ser eleito. Pessoas de postura tão deprimente que se esquecem dos seus próprios “rabos” querendo apagar, num passe de mágica, o histórico de conivência com a corrupção e os fartos anos que mamaram nas tetas dos poderes constituídos em nossa própria cidade.

E já que peguei o clima da corneta, direi um pouco mais. Acreditem, viúvos e viúvas rosas, Dárcy Vera, criminosa condenada, não está no mesmo nível de Duarte Nogueira. O caso dela é de prisão. Nogueira, de má-administração. Não dá pra comparar os dois. 

Vocês perderam completamente a noção, não só da política quanto da realidade. Fico pensando a que ponto a sociedade chegou. Onde comentários imbecilóides em postagens de Facebook lamentam o fato de o acidente envolvendo o prefeito da nossa cidade não ter sido fatal. Ou fazendo piadinha sobre ser o alcaide aceito ou não no inferno.

Hipócritas! Desejaria profundamente, se meu desejar algo valesse, que, para o inferno, fossem todos os que fazem comentários desse tipo. Mas redes sociais ou fora delas.

Corneta do Schiavoni
Jornalista formado pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), é pós-graduado em Gestão da Comunicação e Eventos, especialista em Direito Administrativo e graduando em Direito. Atuando há 16 anos no jornalismo, foi repórter, editor, editor-chefe e pauteiro em diversos veículos do interior paulista, entre eles Jornal A Cidade, Gazeta Ribeirão, Comércio da Franca, Rede BOM DIA e Record TV. Foi correspondente em veículos como Reuters, Folha de São Paulo, e jornal DCI. É colaborador do Portal UOL desde 2013 e atual editor-chefe do portal do Grupo Thathi de Comunicação. Neto do Zualdo e filho do Adalberto, é pai do Gabriel e do Zualdo Bisneto. Nascido e criado na Vila Tibério, é botafoguense, graças a Deus.