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A sede pode quebrar o pote

FABIANO GUIMARÃES, DEM, CONSEGUIU O QUASE impossível: perdeu uma corrida para ele mesmo. Foi destronado da presidência do Legislativo tupiniquim antes mesmo de ocupar a cadeira. Poucos incompetentes conseguem a proeza. Fabiano, sozinho e sem auxílio de assessores e/ou bajuladores, sobressaiu-se. Amarga hoje o choro dos inconformados. Meteu os pés pelas mãos e trocou o que lhe era quase certo pela desobediência de seus ex-iguais. Vai chorar na cama.

A DERROTA DO VEREADOR EM TERRENO DOMÉSTICO teve cumplicidade do mercado externo. Fabiano Guimarães sofre de miopia política. Não enxergou o que todos viam à sua frente. Ele deixou de ser candidato de si mesmo, abandonou o Grupo e já falava – de forma precipitada e indevida – em nome do prefeito Duarte Nogueira, PSDB. Bastou pouco tempo para pavimentar o atalho dos ex-companheiros. Só ele não observou.

A REJEIÇÃO VAI MUITO ALÉM DOS ELEITORES ‘DOMÉSTICOS’. Fabiano Guimarães não tem a simpatia de funcionários da Casa, e está sendo motivo de risadaria geral. Pior. Funcionários públicos de outros setores – notadamente professores – temem pelo pior em caso de ele ser elevado à presidência da Casa. Os vereadores, lógico, estão sendo pressionados nesse sentido. Ainda ontem, em reunião fechada, essas e outras verdades lhe foram disparadas a queima-roupa. Houve bate-boca, insultos velados e ofensas reais. Um sincericídio entre poucos.

MAIS DO QUE PERDER A CHANCE E AS ELEIÇÕES domésticas, Fabiano Guimarães desfez-se da oportunidade de mostrar trabalho. Antecipou-se carregando ideias nada apreciáveis e promessas retrógradas. Aos mais próximos nunca deixou escapar a oportunidade de reiterar que “a Câmara é muito pequena para o exagerado tamanho do meu talento político”. Discurso bobo, arrogante e desprezível. Deu no que deu.

FABIANO GUIMARÃES, NO ENTANTO, NÃO PERDEU sozinho. Levou com ele o prefeito Duarte Nogueira, PSDB. Seria o primeiro (e único) vereador situacionista a desfrutar do cargo neste atual Legislatura. Nem mesmo a presença de tantos outros fiéis seguidores do prefeito foi suficiente para evitar a derrocada. Duarte Nogueira, aliás, e a bem da verdade, não moveu palhas e nem se empenhou tanto assim na disputa.

OPTOU PELO SILÊNCIO QUASE SEPULCRAL, permitindo que cada um seguisse instintos ou vontades. Um de seus mais diretos assessores, porém, não economizou palavras para justificar o pensamento do Governo: “Fabiano faz parte do bloco situacionista, mas está longe de ser o presidente dos sonhos do prefeito”. A explicação – velada e em forma de desabafo – é bastante simples. Fabiano Guimarães teria um mandato caro, diante do apetite que demonstra – ou seja, faria exigências e pedidos acima da média.

José Fernando Chiavenato
Jornalista e escritor