Nogueira teve chance de cancelar licitação que beneficiou cabo eleitoral mas não quis, afirma Scarpelini

Segundo secretário da saúde, ele perguntou sobre cancelamento ou suspensão do processo, mas resposta foi pra manter contratação

Duart Nogueira e Sandro Scarpelini durante apresentação do Boletim Epidemiológico - Foto: Alexandre de Azevedo

O prefeito Duarte Nogueira (PSDB) deu o aval para que a contratação da empresa SOS Assistência Médica fosse realizada. O prefeito teve a chance de cancelar ou suspender o processo, mas optou por manter a contratação. A informação foi dada pelo secretário da Saúde, Sandro Scarpelini, e consta do relatório da Polícia Federal (PF) que investiga a chamada Farra das Ambulâncias.

A SOS, empresa de Aníbal Carneiro, cabo eleitoral de Nogueira e amigo pessoal do secretário da Saúde, foi contratada, por R$ 1,1 milhão, em um processo de dispensa de licitação que é investigado pelas autoridades. Há suspeita de direcionamento do processo para beneficiar Carneiro.

Scarpelini informou à PF que, em reunião online entre Nogueira e parte de seu secretariado, chegou a perguntar ao prefeito Duarte Nogueira e o chefe da Casa Civil, Antonio Abud, “se, em razão da enorme repercussão negativa da contratação das ambulâncias”, deveria o contrato “ser suspenso ou cancelado, ainda mais porque a previsão do aumento do número de casos em curto espaço de tempo não havia ocorrido”.

Segundo Scarpelini, “o prefeito e o chefe da Casa Civil disseram que deveria se aguardar mais, e assim foi feito”, sendo o contrato executado até o fim.

Trata-se da única menção ligando o prefeito Duarte Nogueira à escolha da empresa de Carneiro. O secretário não deixou claro se houve a explanação de algum motivo para a manutenção do processo.

A reportagem questionou o prefeito Duarte Nogueira sobre o assunto, a sua assessoria de imprensa limitou-se a informar, colando trechos de outras notas anteriores, que não iria comentar o assunto.

O processo

O suposto direcionamento na dispensa de licitação foi denunciada com exclusividade pelo Grupo Thathi em 7 de abril, um dia depois de a prefeitura ter publicado, no Diário Oficial, o resultado da seleção de empresas. Apesar disso, o material com os detalhes do processo só foi disponibilizado no portal da transparência quase dez dias depois.

Com base na denúncia do Grupo Thathi, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar as irregularidades. O Ministério Público Estadual e a Câmara também realizaram procedimentos de investigação.

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