Motoristas de ônibus denunciam descumprimento de acordo

Motoristas recebem 50% do salário e trabalham por 8h30, quando o tempo de trabalho decretado no acordo é de 3h40

Foto: Arquivo

Os motoristas de ônibus de Ribeirão Preto denunciaram ao Grupo Thathi o descumprimento de um acordo feito com as empresas do Consórcio Pró-Urbano, responsável pela gestão do transporte coletivo na cidade.

Segundo os motoristas, um acordo sobre o tempo de intervalo nos terminais foi estabelecido, para que os motoristas possam higienizar o transporte público, mas as empresas ameaçam multar os motoristas, que já tiveram seu salário reduzido em 50%.

“Está dando 8h30 de serviço e a empresa não está pagando hora extra para mim. Se eu tivesse recebendo o dinheiro na hora, por mim, podia estar fazendo até 300 horas, mas receber no futuro para mim não está compensando”, afirmou um motorista ao Grupo Thathi.

Ainda de acordo com o motorista, o acordo inicial entre os motoristas e a empresa de trânsito permitia a redução do salário, desde que os motoristas trabalhassem por 3h40, o que não acontece. “O contrato que eu assinei foi 50%, era pra mim trabalhar 3h40, eu estou trabalhando oito horas, eu não sou trouxa, eu estou pagando para trabalhar”, disse.

Sindicado

Segundo João Henrique Bueno, presidente do Sindicato dos Empregados do Transporte Urbano de Ribeirão Preto, o horário de 3h40 de serviço é referente à jornada normal de trabalho, não sendo incluído então o horário extra de serviço. “O acordo que foi feito das 3h40 é da jornada normal de trabalho, e lá não há proibição de fazer hora extra”, afirmou Bueno ao programa Thathi Repórter.

“Se fosse todo mundo trabalhar 3h40, as empresas teriam que contratar o dobro de motoristas que tem hoje. O acordo que foi assinado pelos empregados e pelas empresas foi um acordo individual de trabalho, não foi um acordo coletivo, não foi o Sindicato que assinou”, continuou.

Sobre o pagamento do horário extra, Bueno afirmou que até dezembro o dinheiro será entregue para os motoristas. Em relação ao tempo de intervalo, o presidente do Sindicato afirmou estar tudo correto. 

“Nós temos algumas pessoas que estão insatisfeitos com o que está acontecendo, alguns vivem em Marte, né!? temos oposição no Sindicato, que querem criar tumulto com situações, que muitas delas, não existem. Está difícil para todo mundo”, concluiu o presidente.

Outro lado

O Grupo Thathi solicitou uma nota à Transerp, instituição responsável pelo contrato com a Pró-Urbano, mas, até o fechamento desta matéria, a entidade não se manifestou. A Pró-Urbano também foi procurada, mas ainda não se manifestou sobre o assunto. 

Errata: A reportagem informou, de forma incorreta, que a denuncia dos motoristas foi direcionada à Transperp. Na verdade, foi direcionada às empresas que integram o consórcio Pro-Urbano. A informação foi corrigida no texto e no titulo da matéria.